Bush acusa Síria de tentar reafirmar sua influência no Líbano

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acusou nesta terça-feira a Síria de tentar reafirmar suainfluência no Líbano e reiterou que a "raiz" da crise surgida no Oriente Médio é o Hezbollah.Parece que a Síria "está tentando voltar ao Líbano", após sua saída desse país no ano passado, declarou o presidente, na Casa Branca, depois de se reunir com um grupo de legisladores americanos.Pouco mais de um ano depois de Damasco ter acabado com 28 anos de ocupação militar no país vizinho, Bush manifestou seu temor ao fato de as autoridades sírias pensarem em recuperar sua influência e retornar à região."Há suspeitas de que a instabilidade criada pelos ataques doHezbollah(contra Israel) possa fazer com que alguns no Líbano convidem a Síria a voltar", insistiu.Na sua opinião, a Síria deve permanecer "fora" do Líbano e deixar que o Governo do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, tome as rédeas do país.Bush reiterou que o culpado pelo que está ocorrendo na região é o Hezbollah. Ele acrescentou ainda que é "essencial" que o Governo libanês consiga sobreviver à atual crise."O mundo deve olhar para o Hezbollah e para a Síria, e continuar isolando o Irã", afirmou Bush, em breves declarações à imprensa após informar os legisladores sobre os resultados da cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia), que terminou ontem, em São Petersburgo (Rússia).Suas declarações foram feitas depois de a secretária de Estado, Condoleezza Rice, ter deixado claro que os EUA querem um cessar-fogo na região, mas que seja permanente."Todos queremos o fim da violência. Todos queremos a proteção dos civis", mas "temos que garantir que isso vá durar", assegurou Rice. "Todos concordamos que (o fim das hostilidades) deve acontecer o mais rápido possível, quando forem estabelecidas as condições propícias para isso", acrescentou a secretária de Estado.Cessar-fogoAinda nesta terça-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que qualquer cessar-fogo nos conflitos no Oriente Médio deve se basear em mudanças fundamentais que podem ter um impacto duradouro."Todos queremos que a violência cesse. Todos queremos a proteção dos civis. Temos de certificar que tudo o que fizermos tenha um valor duradouro", disse Rice. Porém, para ela, um cessar-fogo só ocorrerá após a implementação de uma resolução permanente do Conselho de Segurança da ONU e a distribuição do Exército libanês na fronteira com Israel, assim como a introdução de um forte operação de paz."Mais algumas semanas" Apesar dos esforços diplomáticos para por um fim às incursões de Israel no Líbano, que completam uma semana nesta quarta-feira, o Exército de Israel disse que está se preparando para enfrentar os guerrilheiros do Hezbollah por mais algumas semanas, e pode enviar forças terrestres ao Líbano.Em esforços para encerrar o conflito, que matou pelo menos 227 pessoas no Líbano e 25 em Israel, uma equipe de mediadores da ONU se reuniu nesta terça-feira com líderes israelenses um dia depois de ter se encontrado com libaneses em Beirute.A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, que se encontrou com a delegação, disse que um cessar-fogo será impossível enquanto soldados capturados pelo Hezbollah na semana passada não forem libertados e as tropas libaneses garantirem o desarmamento do Hezbollah na fronteira.O premier de israelense, Ehud Olmert, disse a uma delegação da ONU que visitava o país que "Israel continuará combatendo o Hezbollah e continuará a bombardear alvos do grupo" até que os soldados capturados sejam libertados e a segurança da população israelense retorne à normalidade. O líder do exército israelense no norte, o major-general Udi Adam, disse que é provável que a campanha contra o Hezbollah "continue por mais algumas semanas".

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