Bush admite esperar nova resolução da ONU

O presidente americano, George W. Bush, admitiu, nesta sexta-feira, a possibilidade de esperar uma segunda resolução do Conselho de Segurança da ONU que autorize o uso da força contra o Iraque, desde que não seja uma mera protelação e contribua efetivamente para forçar o regime de Saddam Hussein a desarmar-se."Isto precisa ser resolvido rapidamente", disse Bush após reunião com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que foi a Washington para ressaltar a importância de aguardar uma nova resolução e ampliar o apoio para uma ação militar."Se a ONU decidir aprovar uma segunda resolução, isso será bem-vindo, se for outro sinal de nossa seriedade quanto ao desarmamento de Saddam", acrescentou, reiterando que pretende resolver a questão "em semanas, não em meses" - seis semanas, segundo funcionários.Bush reiterou, entretanto, sua posição de que a resolução de desarmamento aprovada em novembro pelo CS da ONU já autoriza o uso da força contra o regime iraquiano. Blair, por sua vez, pediu que o mundo se una em torno de uma nova resolução que legitime uma ação militar.A decisão de Blair de usar sua credibilidade em Washington para assegurar uma autorização internacional explícita para uma segunda guerra no Golfo Pérsico traduz a preocupação do chefe do governo britânico tanto em preservar o Conselho de Segurança, na qual a Grã-Bretanha tem poder de veto, como de proteger a União Européia, da qual é um ardoroso defensor.Sua iniciativa dá cobertura diplomática para a França reconsiderar sua relutância a uma solução militar, na hipótese de Saddam Hussein não se submeter às ordens da ONU e desarmar-se. A França também tem poder de veto no Conselho de Segurança. Ganhar o apoio de Paris é importante não apenas porque facilitaria obter o endosso da China a uma nova resolução, mas também porque aumentaria a pressão em favor de uma solução interna no Iraque.Uma das hipóteses com as quais Washington e Londres trabalham é a da deposição de Saddam por um grupo de generais iraquianos. Assessores da Casa Branca, ao comentarem a disposição de Bush de esperar uma segunda resolução, destacaram que o novo exercício diplomático dará no máximo mais seis semanas para os inspetores de armas da ONU realizarem sua missão no Iraque - tempo suficiente para o Pentágono completar a fase final dos preparativos militares para uma nova guerra.E para a diplomacia americana tentar consolidar apoio internacional para uma solução de força, e politicamente não menos importante para Bush, para a Casa Branca neutralizar a oposição dos democratas à sua estratégia no Iraque. O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, estimou o tempo de uma nova iniciativa diplomática em "um par de semanas".Este prazo coincide com a data - 14 de fevereiro - da apresentação ao Conselho de Segurança de um novo relatório do chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix. Num gesto positivo para a estratégia de Blair de ampliar o apoio internacional para um ataque contra o Iraque, o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, confirmou nesta sexta-feira que comparecerá na quarta-feira à reunião do Conselho de Segurança, na qual o secretário de Estado apresentará provas de que o regime de Saddam Hussein não apenas não está colaborando com os inspetores de armas como está sabotando ativamente suas atividades.Em contraste com a Alemanha, que se pronunciou contrariamente a um ataque ao Iraque, a França justificou sua oposição a uma solução de força dizendo que não há provas e que os inspetores devem ter mais tempo para realizar sua missão. Bush, por sua vez, intensificou ontem seus contatos com líderes internacionais, que deverão continuar na próxima semana.

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