Bush adverte Rússia e França que pode agir só contra o Iraque

Reagindo a iniciativas de Rússia e França - que hoje apresentaram, inesperadamente, dois projetos de resolução sobre o regime de inspeção dos arsenais de destruição em massa do Iraque -, o presidente americano, George W. Bush, anunciou que não aceitará nenhuma decisão do Conselho de Segurança da ONU que impeça os EUA de iniciarem uma ação militar para desarmar Saddam Hussein, caso Bagdá obstrua as inspeções."Não aceitaremos nenhuma resolução que nos impeça de fazer aquilo que prometemos ao povo americano", declarou Bush. "Se a ONU não quiser intervir e Saddam não quiser se desarmar, lideraremos uma coalizão para desarmá-lo."Bush fez a declaração logo depois de receber em sua propriedade em Crawford, no Texas, o presidente chinês, Jiang Zemin, a quem pediu apoio ao projeto de resolução de Washington, apresentado aos membros do conselho no começo da semana. EUA, Rússia, França, China e Grã-Bretanha são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e têm poder de veto sobre a decisão do plenário, composto por 15 países. Pequim vem dando indicações que pretende abster-se da votação.Os projetos de resolução de Moscou e Paris exigem que Bagdá permita o acesso irrestrito dos inspetores a qualquer instalação do país. Mas estabelecem que, mesmo no caso de o Iraque impor obstáculos às vistorias, uma ação militar só seria possível mediante a aprovação de uma nova resolução específica. A apresentação dos dois textos torna mais difícil a aprovação da proposta americana.A resolução que os EUA pretendem aprovar adverte o Iraque para "graves conseqüências" no caso de o regime de Saddam não permitir que os inspetores trabalhem. Para russos e franceses, a advertência poderia se converter numa brecha legal que autorizaria o uso automático da força pelos EUA, caso não se satisfaçam com a colaboração de Bagdá nas inspeções.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.