Bush ajuda o terrorismo, diz jornalista americano

"Se eu fosse da Al-Qaeda, iria querer Bush reeleito, porque Bush foi a melhor coisa para eles; a política de Bush é ainda mais terrorista. Atacou um país que não é terrorista, que é o Iraque. Saddam é um homem terrível, mas não é terrorista." As palavras são do jornalista americano Seymour Herst, na entrevista que concedeu ao programa Milênio, da Globo News. Trata-se de um dos mais consagrados jornalistas dos Estados Unidos. Ele não nega ser simpático ao Partido Democrata, mas suas matérias procuram ser isentas. Ele não poupa nem mesmo ex-presidentes desse partido, como John Kennedy, Lyndon Jonhson e Bill Clinton. Ex-repórter do The New York Times, residente em Washington, hoje ele atua como free-lancer, com matérias habitualmente publicadas na revista New Yorker. O fundamentalismo no poderSegundo Seymour Herst, "se os homens do governo Bush são maus e incompetentes, ou ambos? É como uma seita. Eles não se acham maus, não acham que mentem. São membros de uma seita. Houve a famosa seita de Charles Manson. Lembra-se de Sharon Tate? Acreditavam que o demônio estava lá. Essas pessoas, gente como Wolfwitz, de certa forma não estão mentindo. São ´idealistas´, em termo clássico ´idealismo´. Ainda acreditam que o Iraque pode dar certo. Acharam que chegariam ao Iraque, difundiriam a democracia e os chafarizes subiriam; a democracia se estenderia ao Irã e ao chamado ´Líbano ocupado´, que é como chamam a Síria, e tudo estaria mudado. Eles acreditavam piamente que havia armas de destruição em massa, e quem discordasse seria um infiel.""Maluquice" no governoPara Herst, o mundo muçulmano não é terrorista: "99,9% dos muçulmanos nada têm a ver com essa maluquice. A política de Bush favoreceu o crescimento do terrorismo." (...) Bush é o mais perigoso (dos presidentes americanos). Ele não sabe o que faz, de certa forma. Tem umas idéias! A comissão que foi formada depois do 11 de setembro disse que não havia ligação entre a Al-Qaeda e o Iraque de Saddam Hussein. Bush olhou nos olhos dos repórteres é disse: ´Existe ligação entre Saddam Hussein e a Al-Qaeda. Como eu sei? Sei porque estou dizendo.´ Ele acredita que é verdade só porque ele diz."O currículoSeymour Herst tem em seu currículo a autoria de matérias que abalaram os Estados Unidos e o mundo, aumentando a força do jornalismo independente e veraz. Das tramóias de John Kennedy, "o presidente charmoso que enganou o público", ao massacre de Milay, que revelou as atrocidades dos americanos na guerra do Vietnã, ao envolvimento de Henry Kissinger em crimes na América Latina, à tentativa de Richard Nixon em abafar o escândalo de Watergate, ao arsenal secreto de bombas nucleares de Israel, com a cumplicidade de Washington, aos erros cometidos na invasão do Iraque e o envolvimento direto do governo Bush na tortura de prisioneiros em Abu Ghraib - a descoberta de todos estes fatos essenciais para entender a história do nosso tempo, passam pelos textos de Seymour Herst.

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