Bush ameaça acionar CS caso Irã mantenha enriquecimento

Diante da reiterada recusa do Irã em encerrar seu programa de enriquecimento de urânio, o presidente americano, George W. Bush, afirmou nesta quinta-feira que o impasse será levado ao Conselho de Segurança de ONU. A ameaça acontece um dia depois de os EUA afirmarem que participarão das negociações multilaterais com Teerã caso o governo iraniano desista de parte de suas ambições nucleares. A condição da oferta - o encerramento do programa de enriquecimento de urânio - foi prontamente rejeitada pelo Irã."Veremos se eles confirmam ou não a posição de seu governo", disse Bush depois de uma reunião com os membros do seu gabinete na Casa Branca. "Se continuarem com essa obstinação, então o mundo irá agir de acordo", ameaçou.Sobre o crucial apoio da Rússia e da China para a aprovação de uma resolução que inclua a ameaça de sanções, Bush disse que obteve uma resposta positiva do presidente russo, Vladimir Putin, durante uma conversa telefônica entre ambos nesta terça-feira.Posição iranianaO Ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, recebeu de maneira positiva a possível entrada dos Estados Unidos nas negociações, mas refutou o pedido para que Teerã encerre o enriquecimento de urânio, classificando como "retóricas" as declarações de Rice. "A declaração não traz nada de novo e não inclui uma solução nova e lógica para a questão nuclear", disse Mottaki. "Os EUA querem é desviar a atenção de seus crimes no Iraque. Se eles querem mudanças, devem mudar seu comportamento", acusou."Não conversaremos sobre o direito do povo iraniano à tecnologia nuclear, mas estamos dispostos a dialogar, dentro de um certo âmbito, e sobre uma base de igualdade e sem discriminação, sobre os assuntos que causam desconfiança", acrescentou MottakiEm entrevista à radio estatal iraniana, o porta-voz do ministério do Exterior Hamid Reza afirmou que "não há obstáculos no caminho do diálogo respeitoso entre Teerã e Washington"."Acreditamos que conversas incondicionais são a melhor maneira de lidar com a atual crise sobre o programa iraniano", acrescentou. Apesar de Mottaki e Asefi terem criticado a condição estabelecida por Washington, suas respostas marcam a primeira vez, desde 1979, que funcionários de alto escalão do governo iraniano receberam de maneira positiva a entrada dos Estados Unidos em negociações. Linha duraAdotando uma linha mais dura, o ministro do Petróleo do Irã, Sayed Kazem Vaziri Hamaneh, disse nesta quinta-feira em Caracas que seu país "nunca negociará" seu plano nuclear com os EUA."Nunca vamos negociar o ciclo de combustível nuclear que obtivemos com os esforços de cientistas de nossos país. O que a senhora Rice diz são palavras que sempre repetem as autoridades americanas", declarou Kazem à cadeia Telesur em Caracas, onde participa de uma reunião da Opep.Em Caracas, auxiliado por um tradutor, Kazem disse ainda que "a melhor garantia" para o uso pacífico do programa de energia nuclear iraniano é dada pelos "inspetores de organismos internacionais, que informam que não há nenhum indício de que esses programas sejam utilizados para fins militares".Kasem destacou que "as constantes ameaças" americanas contra o Irã também figuram entre as causas dos altos preços atingidos pelo petróleo nos mercados mundiais, em torno dos US$ 70 o barril, e advertiu que descarta que esse valor já "esteja no máximo".As afirmações dos iranianos acontecem paralelamente à reunião dos chanceleres dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, nesta quinta-feira em Viena. Os diplomatas se encontram para fechar um pacote de incentivos e possíveis sanções contra o Irã, devido ao seu polêmico programa nuclear.

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