Bush anuncia mudança na política externa no Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, alertou hoje (06) alguns dos mais próximos aliados norte-americanos no Oriente Médio de que o status quo atual é inaceitável e todos os países árabes devem caminhar emdireção à democracia. Além disso, Bush alertou os governos da Síria e do Irã, assimcomo a Autoridade Nacional Palestina (ANP), de que ele pretendeminar sua influência sob seus respectivos povos e sualegitimidade. Mais tarde, em uma cerimônia na Casa Branca, Bush sancionou umpacote de US$ 87,5 bilhões aprovado pelo Congresso dos EUA paraajudar o Iraque e o Afeganistão. Ele qualificou o dinheiro comoum compromisso financeiro dos EUA em sua guerra global paraderrotar o que considera "terrorismo". "Com esse ato do Congresso, nenhum amigo ou inimigo podeduvidar que os Estados Unidos disponham dos recursos necessáriose do desejo de seguir nesta guerra rumo à vitória", declarou. De acordo com ele, os Estados Unidos e outros países têm parteda culpa pela ausência de liberdade democrática no OrienteMédio. O presidente norte-americano alertou que os esforços paralevar a democracia no Oriente Médio serão difíceis e acrescentouque os EUA estão agora destinados a ficarem profundamenteenvolvidos nas questões da região por "décadas". Para justificar esse compromisso, Bush argumentou que maiorliberdade é o único caminho para um Oriente Médio mais prósperoe estável e o único caminho para um mundo mais pacífico nogeral. Bush disse que o número de países livres no mundo aumentou aolongo dos últimos 25 anos, mas esse progresso tem sidonotadamente ausente no Oriente Médio. Ao invés disso, a repressão tem promovido a pobreza, a faltade educação, o terror e o ódio. Como resultado, Bush disse queos EUA irão abandonar sua política dos últimos 60 anos, de fazero que fosse necessário para manter a estabilidade a qualquercusto, e irão se concentrar na punição de governos para oferecermaior liberdade. Além dessas declarações sobre o Oriente Médio, o presidentefez um alerta a quatro outros países de que seus regimesentrarão em colapso e seus povos serão livres: Mianmá, Zimbábue,Coréia do Norte e Cuba. O presidente dos EUA reconheceu que a China tem oferecido aoseu povo "um fragmento" de liberdade política e uma maiorliberalização de sua econômica, mas acrescentou que o povochinês não ficará satisfeito com isso por muito tempo. Bush disse que em 60 anos a acomodação do Ocidente com a faltade liberdade no Oriente Médio não produziu segurança porque aestabilidade não pode ser comprada às custas da liberdade. O presidente norte-americano citou que seus críticos irãoargumentar que a democracia não pode florescer dentro dassociedades do Oriente Médio e qualificou essa avaliação como semsentido. "As pessoas do Oriente Médio estão de alguma forma fora doalcance da liberdade? Os milhões de homens, mulheres e criançasestão condenados pela história ou cultura a viverem nodespotismo? Eles estão condenados a nunca conhecerem a liberdadee nunca nem mesmo terem escolha sobre alguma questão? Eu nãoacredito nisso", garantiu Bush. O presidente disse ainda que o islamismo e a democracia nãosão imcompatíveis e que diversas nações muçulmanas abraçaram ademocracia, como a Turquia, ou que estão caminhando em direção aum Estado mais democrático, como o Marrocos. Ele citou aindaIndonésia, Senegal, Albânia, Níger e Serra Leoa como exemplos deonde a democracia vem avançando. Níger foi o país citado por Bush no discurso do Estado daUnião como suposto fornecedor de elementos para que o Iraqueconstruísse armas de destruição em massa. Mais tarde,comprovou-se que a alegação baseava-se em documentosfalsificados obtidos por serviços secretos de paísesocidentais. Apesar das críticas, Bush disse que não pretende promover a"ocidentalização" do Oriente Médio. O presidente dos EUAprocurou equilibrar seu discurso dizendo que era momento de ospaíses árabes pararem de culpar uns aos outros por seus própriosfracassos. Bush disse que o custo da repressão no Oriente Médio já éenorme e está ficando maior. "Em muitos países do Oriente Médio,a pobreza é profunda e está se espalhando. Faltam direitos àsmulheres, a quem a educação é negada. Sociedades completascontinuam estagnadas, embora o mundo siga adiante. Esses não sãofracassos de uma cultura ou religião; esses são fracassos dedoutrinas políticas e econômicas", disse. De todos esses pontos, Bush destacou a repressão às mulheresnas sociedades árabes e disse que isso tem de ter um fim. Bush disse ainda que a era pós-colonial no Oriente Médio foimarcada pelo crescimento de ditaduras tanto militares quantoteocráticas e destacou o partido Baath na Síria e no Irã, quedeixou nada mais que um legado de tortura e miséria. O presidente dos EUA disse que diversos governos da regiãoentendem que devem fazer progressos maiores para permitirem maisliberdade e a disseminação das regras da lei. Ele citou osexemplos de pequenos países do Golfo Pérsico e da Jordânia pelaliberalização de suas sociedades. Contudo, no caso da Arábia Saudita e do Egito, Bush disse queambos os países precisam fazer mais. No caso dos sauditas, essepaís está dando "os primeiros passos" em direção à liberdade,mas precisa "demonstar uma verdadeira liderança". No Egito, onde o presidente Hosni Mubarak está preparando seufilho para sucedê-lo, Bush disse que o Cairo deve "mostrar ocaminho para a democracia". Segundo ele, os EUA estão adotando as medidas necessárias paraconstruir uma democracia no Iraque e estão sendo testados. Eledisse que isso será difícil. Se os EUA falharem, terroristas de todo o mundo ficarãoencorajados, mas se o EUA triunfarem, a presença de um Iraquelivre minará os governos da Síria e do Irã, disse o presidentenorte-americano. "O estabelecimento de um Iraque livre no coração do OrienteMédio será o evento divisor de águas na revolução democráticaglobal", disse Bush. No caso do Irã, Bush disse que há um movimento pró-democraciaa caminho e Teerã deve ficar em alerta. Aos palestinos, Bushalertou que "o único caminho para a independência, a dignidade eo progresso é o caminho da democracia". Bush disse no passado que o histórico líder palestino YasserArafat foi um obstáculo para a paz e reiterou esse ponto. "Oslíderes palestinos que bloqueiam e minam a reforma democrática,alimentam o ódio e encorajam a violência não são líderes defato; eles são o principal obstáculo para a paz e para o sucessodo povo palestino", disse Bush. O resultado é que todos osEstados árabes estão destinados a serem livres, concluiu Bush.

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