Bush anuncia reforço no Afeganistão e critica aliados da Otan

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou nesta quinta-feira, 15, o envio de novos contingentes de soldados americanos ao Afeganistão, e pediu aos aliados da Otan que sigam seu exemplo e eliminem os impedimentos impostos aos efetivos já postados na região.O recado foi direcionado aos países europeus que não autorizam suas tropas a combaterem a insurgência Taleban que atua no país. O ano passado foi o mais sangrento desde que os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e derrubaram o governo liderado pelo grupo islâmico. Atualmente, apenas EUA, Canadá, Grã-Bretanha e Holanda estão atuando nas áreas em que a insurgência atua com mais vigor, no sul e leste do país."Ordenei um aumento das forças dos EUA no Afeganistão. Estenderemos por mais quatro meses a estadia de 3.200 soldados que estão atualmente no país", anunciou Bush, durante um ato organizado pelo centro de estudos neoconservador "American Enterprise Institute" (AEI).Além da ampliação da missão atualmente no país, o presidente anunciou que enviará uma força de substituição "que irá sustentar o atual contingente pelo tempo previsto".Como outra brigada já havia chegado ao Afeganistão, a extensão das tropas e o envio de um novo efetivo irão dobrar o número de brigadas de combate americanas no país.Após enumerar os países que também ofereceram assistência adicional, o presidente afirmou que toda ajuda é necessária, pois "os taleban e a Al-Qaeda estão preparando novos ataques"."A neve irá derreter nas montanhas Hindu Kush. Quando isso acontecer, podemos esperar que as difíceis batalhas continuarão. O Taleban e a Al-Qaeda estão se preparando para lançar novos ataques. Nossa estratégia não será de defesa, mas partir para o ataque. Nessa primavera, haverá uma nova ofensiva no Afeganistão, e será uma da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Incansáveis, não iremos sucumbir à assassinos e extremistas", disse Bush durante seu discurso à AEI.O presidente pediu ainda aos membros da Otan que não hesitem na hora de enviar mais tropas e, sobretudo, que não imponham restrições ou limites às já postadas, pois um dos princípios básicos da Otan diz que "um ataque a um é um ataque a todos"."Quando os comandantes no terreno dizem que necessitam de ajuda adicional, os países da Otan devem concedê-la", assegurou. "Os aliados devem eliminar as restrições às tropas que enviam, de modo que os comandantes da Otan tenham a flexibilidade de que necessitam para combater o inimigo", disse ele, em alusão a Alemanha, França e Espanha, que limitaram a participação de seus soldados em algumas operações, e suas mudanças para zonas mais conflituosas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.