Bush 'anunciará novas sanções contra Mianmá'

Presidente americano deve fazer anúncio durante seu discurso na Assembléia Geral da ONU, em Nova York

BBC Brasil,

25 de setembro de 2007 | 04h31

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deverá anunciar nesta terça-feira, 25, novas sanções contra a junta militar que governa Mianmá (a antiga Birmânia), afirmou a Casa Branca. Veja TambémBrasileiro relator da ONU pede ajuda internacional para MianmáJunta militar de Mianmá adverte contra protestos de mongesLíderes mundiais criticam regime militar de Mianmá  O anúncio deverá ser feito durante o discurso do presidente americano na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Segundo a Casa Branca, Bush está inclinado a impor restrições financeiras e cancelar o visto americano dos membros do governo do país asiático. De acordo com o correspondente da BBC Jonathan Beale, em Washington, os Estados Unidos já deixaram claro que estão se preparando para tomar medidas unilaterais contra a junta militar de Mianmá. A decisão do governo americano foi tomada depois de oito dias consecutivos de protestos populares liderados por monges budistas contra o regime. Segundo Beale, Washington espera que suas ações levem outras nações a agir e incentivem os protestos nas ruas do país. Junta  As manifestações em Mianmá começaram por causa do aumento nos preços dos combustíveis no mês passado, mas agora os monges querem que o governo entregue o poder. A junta já afirmou que está pronta para agir contra os monges. Nesta segunda-feira, o ministro de Religião de Mianmá, general Thura Myint Maung, alertou os manifestantes para que "não quebrem as regras e as leis budistas". Maung disse que os protestos são promovidos por "elementos destrutivos" que se opõem à paz no país. A TV estatal disse que as manifestações são fomentadas por comunistas e grupos de mídia e estudantes exilados.Os monges budistas são venerados em Mianmá e, segundo correspondentes, qualquer medida da junta militar para sufocar as manifestações poderia provocar mais protestos.  Mesmo assim, há temores de que possa se repetir o episódio de violência de 1988, quando as últimas manifestações pró-democracia realizadas em Mianmá foram reprimidas violentamente pela junta militar, em confrontos que deixaram cerca de 3 mil mortos. Desafio Alguns representantes dos monges apelaram para que todo o país se junte a eles em sua campanha para derrubar o governo. Os protestos já se espalharam por mais de 25 cidades. Segundo o correspondente da BBC na Ásia Andrew Harding, os protestos de segunda-feira são uma demonstração de desafio ao governo impensável há apenas algumas semanas. Em Rangum, a principal cidade do país, estima-se que entre 50 mil e 100 mil pessoas tenham ido às ruas na segunda-feira. Os monges entraram no centro da cidade divididos em cinco colunas, uma delas se espalhando por mais de 1 quilômetro, e foram saudados por milhares de moradores com aplausos. Muitos civis se uniram ao protesto, incluindo membros da Liga Nacional pela Democracia, partido da principal líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que passou a maior parte dos últimos 17 anos em prisão domiciliar. Reações De acordo com Harding, o governo de Mianmá deverá enfrentar grande pressão de seu vizinho mais próximo, a China, para evitar derramamento de sangue e instabilidade. A União Européia já pediu à junta militar que utilize "máxima prudência" ao lidar com os protestos e que aproveite a oportunidade para "iniciar um processo de real reforma política". O Dalai Lama, líder espiritual tibetano que vive exilado na Índia, também manifestou apoio aos monges de Mianmá em sua busca por "liberdade e democracia". O embaixador britânico, Mark Canning, disse que os líderes de Mianmá estão agora em terreno desconhecido, mas expressou preocupação com uma possível reação do governo. A Aliança de todos os Monges Budistas da Birmânia, que lidera os protestos, prometeu manter as manifestações até que "a ditadura militar seja varrida da terra".

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