Bush apresenta sua nova estratégia de segurança nacional

Numa guinada histórica, os Estados Unidos vão substituir a estratégia de defesa da guerra fria, marcada pela disuassão e contenção, por uma política de ataques preventivos contra países que considerar hostis e grupos terroristas. A nova doutrina de segurança nacional, que o governo americano já vem tentando aplicar em relação ao Iraque, foi apresentada ontem pelo presidente George W. Bush em documento de 33 páginas enviado ao Congresso, sob o título "Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos". Todo presidente do país deve, por lei, encaminhar ao Legislativo sua estratégia de segurança nacional, delinenado as políticas de defesa e de relações exteriores. O predecessor de Bush, Bill Clinton, nunca mencionou "ataques preventivos". A meta da administração George W. Bush é fazer com que a nação mantenha "para sempre" sua superioridade militar e derrote o terrorismo por meio da "destruição da ameaça antes que ela alcance as fronteiras" do país. Atacar primeiro"Nossos inimigos declararam abertamente que estão buscando armamento de destruição em massa e as evidências indicam que estão fazendo isso com determinação. Os EUA não permitirão que esses esforços tenham êxito", escreveu Bush na introdução. "Os Estados Unidos não podem mais confiar numa atitude de reação, como no passado. Não podemos deixar nossos inimigos atacarem primeiro." Ao antecipar ontem trechos do documento, o diário The New York Tmes definiu-o como "agressivo", tanto no tom como no conteúdo, e mais "musculoso" do que todos os informes enviados pela Casa Branca desde a era Ronald Reagan. Alguns analistas políticos em Washington consideraram o texto mais duro ainda do que os do período Reagan. Entre outras premissas, o documento assinala que "os EUA nunca voltarão a permitir que outro país desafie sua superioridade militar" - como foi pela extinta União Soviética - , a nação está "ameaçada agora menos pelos países fortes do que pelos mais fracos" e o maior perigo enfrentado é "a combinação de radicalização com tecnologia". Coincidentemente, Bush recebeu ontem na Casa Branca o chanceler e o ministro da Defesa da Rússia, Igor Ivanov e Serguei Ivanov, respectivamente. ?Contraproliferação?A doutrina considera um fracasso a maioria dos tratados de não-proliferação de armas e defende a "contraproliferação", cujas bases serão a criação de um sistema nacional de defesa antimíssseis (o chamado escudo espacial) e os esforços para destruir e desmantelar armas e tecnologia bélica de países e organizações inimigas. A nova doutrina reflete claramente a preocupaçção do governo americano com a luta contra o terrorismo desencadeada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e a possibilidade de que líderes como Saddam Hussein abasteçam grupos terroristas com armas biológicas, químicas e nucleares. Mas também expressa a preocupação de não ser superado por potências emergentes, como a China. "Nossas forças serão forte o bastante para dissuadir adversários potenciais de construírem uma estrutura militar que supere ou iguale o poder dos EUA." Contra a China A mensagem dirige-se especialmente a Pequim. "Ao buscar capacidade militar avançada que pode ameaçar seus vizinhos na região da Ásia-Pacífico, a China está seguindo um caminho obsoleto que, no fim, vai obstruir sua meta de grandeza nacional." Bush também prezou o trabalho em organizações internacionais e em conjunto com a Rússia e a China, com o objetivo de desenvolver "uma relação de forças que favoreça a liberdade". "Os Estados Unidos impulsionarão o avanço da democracia e a abertura econômica nessas duas nações porque essas são as melhores bases para a estabilidade doméstica e a ordem internacional", sustenta. "Resistiremos com firmeza às agressões de outras superpotências, ao mesmo tempo que nos trará satisfação sua busca de prosperidade e avanços comerciais e culturais." O objetivo do governo, ressalva Bush, é apoiar "governos modernos e moderados, especialmente no mundo islâmico", para garantir que as condições e ideologias promotoras do terrorismo não encontrem terreno fértil em nenhuma nação. A íntegra do documento está disponível no site do jornal The New York Times (em inglês).

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