Bush aproveita cúpula do G8 para pedir punições ao Zimbábue

Em reunião com líderes africanos, americano apela por sanções a Mugabe por eleição considerada ilegal

Agências internacionais,

07 de julho de 2008 | 08h02

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que apóia a aplicação de sanções contra o Zimbábue, pediu nesta segunda-feira, 7, que a comunidade internacional se una para punir o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, acusado de usar a violência para ganhar votos e reprimir a oposição política do país.   Veja também:   Rússia e EUA mantêm impasse sobre escudo antimísseis   Milícias atacam campos de refugiados no Zimbábue   Os países do G8, formados por Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Alemanha, França, Itália, Rússia e Canadá, se reuniram nesta segunda na primeira jornada de encontros previstos para a cúpula que acontece no Japão com presidentes de sete nações integrantes da União Africana (UA), em uma sessão para discutir temas como o alto preço dos alimentos, a ajuda humanitária e a situação política no Zimbábue.   Bush chamou de "farsa" a sexta reeleição de Mugabe afirmou que está "extremamente desapontado" com a violência registrada na eleição presidencial. Observadores internacionais afirmam que o segundo turno realizado no dia 27 de junho foi ilegítimo. O presidente americano e outros líderes do G8 se encontraram com representantes de sete nações africanas para discutir o envio de ajuda humanitária para o continente, mas a situação do Zimbábue também é um dos principais temas da agenda.   As nações africanas estão profundamente divididas, e muitas relutam e pressionar Mugabe apesar dos apelos das Nações Unidas (ONU) e da comunidade internacional. Já foram discutidas a possibilidade de se aplicar sanções e de incentivar um governo compartilhado com a oposição, mas nenhum consenso foi alcançado. A União Africana considera que a solução à crise no país é a formação de um governo de união nacional entre o partido de Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF, em inglês), e o opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC) de Morgan Tsvangirai.   As diferenças de opinião ficaram claras em uma coletiva de imprensa conjunta entre Bush e oo presidente da Tanzânia e líder da UA, Jakaya Kikwete, que defendeu a necessidade de um governo de união nacional no Zimbábue. "Sua Excelência gostaria de nos ver fazendo algumas coisas, mas nós também gostaríamos de vê-lo fazer outras", disse Kikwete, que no entanto ressaltou que continuariam "a debater esses assuntos e, como amigos, finalmente chegariam a um acordo".   Em entrevista coletiva paralela, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar disposta a impor sanções contra o regime de Mugabe pois deixou "bem claro" que vê esse governo como "ilegítimo". Já um porta-voz canadense indicou que na reunião o G8 deixou claro aos países africanos que mais sanções serão impostas a Mugabe e seus partidários a menos que aconteçam progressos rápidos para solucionar a crise política no Zimbábue.   Segundo a BBC, desde a cúpula do G8 de 2005, realizada em Gleneagles, na Escócia, que o grupo vem prometendo ampliar sua ajuda financeira à África, mas dados de diversas organizações não-governamentais e dos próprios governos mostram que a promessa não tem sido cumprida. Além disso, um documento vazado ao jornal britânico Financial Times há duas semanas indica que os países do G8 deverão baixar o tom de suas promessas à África neste ano, evitando uma referência à meta estabelecida em 2005 de elevar a ajuda financeira aos países africanos a US$ 25 bilhões ao ano.   Matéria atualizada às 10 horas.

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