Bush autoriza plano para derrubar Saddam Hussein

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ordenou à CIA que dê andamento a um plano segundo o qual os agentes têm autorização explícita para conduzir operações clandestinas no Iraque, que incluem a possibilidade de eliminação física de Saddam Hussein, denunciou hoje o jornal norte-americano The Washington Post. "Agentes da CIA e unidades das forças especiais similares às empregadas no Afeganistão depois de 11 de setembro poderão ser usadas no Iraque. Essas forças estão autorizadas a matar Saddam Hussein se estiverem em condições de se defender", disse um informante do governo Bush a Bob Woodward, o jornalista do caso "Watergate". O plano de Bush encontrou alguma resistência no Congresso. "Fomos consultados e estamos de acordo que Saddam deve sair. No entanto, o problema é quando e como fazer isso", disse hoje à rede de tevê Fox o líder da maioria democrata no Senado, Tom Daschle. A ordem é recente e a CIA deve adotar uma estratégia "ultra-secreta" para derrubar Saddam Hussein. O líder de Bagdá deve deixar o poder "vivo ou morto", segundo as fontes citadas por Woodward em artigo publicado no The Washington Post. A ordem amplia prerrogativas já dadas à CIA para eliminar Saddam Hussein do cenário político mundial, aumenta os fundos destinados à oposição iraquiana dentro e fora do país e prevê o fornecimento de armas, dólares, treinamento e informações secretas aos rebeldes. Bush também pediu a seus agentes que estabeleçam contatos para coletar informações privilegiadas dentro dos setores do governo, das forças armadas, dos serviços de segurança e das comunidades iraquianas onde os sentimentos contra Saddam forem mais profundos. "Queremos conhecer a verdade sobre o terreno", disse uma fonte. Outro informante avisou: "Esta não é necessariamente a solução de todos os problemas, mas talvez tenhamos sorte." O governo já liberou dezenas de milhões de dólares para o plano clandestino que uma fonte norte-americana definiu como "preparação" de um ataque militar de grande escala. A ordem pode ser a prova de que o governo Bush começou a aquecer os motores para uma ofensiva de grande escala contra um dos "Estados pária" unilateralmente qualificados pelo presidente como parte de um suposto "eixo do mal". As fontes de Woodward disseram que a ordem à CIA faz parte de uma estratégia de alcance mais amplo que prevê pressões econômicas, diplomáticas e - o que cada vez mais os funcionários do governo consideram possível - militares.

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