Bush avalia acordo de paz com Coréia do Norte

Em preparação de Cúpula na Ásia, presidente dos EUA tenta mostrar que não ignora continente

MICHAEL PERRY, REUTERS

07 de setembro de 2007 | 13h22

O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou nesta sexta-feira, 7, enquanto se prepara para participar de uma cúpula de países da Ásia e do Pacífico na Austrália, que o governo norte-americano avaliará a possibilidade de selar um acordo de paz com a Coréia do Norte caso o país abra mão de suas armas nucleares.Os EUA vêm sendo acusados de ignorar a Ásia, à medida que foca no Iraque. Mas, na véspera da cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), Bush manifestou-se a respeito de assuntos mais ligados àquela região."Temos de pressionar o regime de Burma (Mianmar) a fim de que não mais prenda, intimide ou agrida ativistas pró-democracia que participam de ou organizam manifestações pacíficas", afirmou Bush em um discurso proferido em Sydney diante de empresários da Ásia e do Pacífico.Essas declarações surgem um dia depois de centenas de monges budistas terem mantido refém, por várias horas, um grupo de autoridades do governo e terem incendiado os carros delas como forma de protestar contra os dirigentes militares de Mianmar (ex-Burma). ChinaBush disse também que a China deveria aumentar as liberdades civis antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Mais tarde, após reunir-se com o presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun, citou a possibilidade de assinar um acordo de paz com os norte-coreanos."Aguardamos ansiosamente pelo dia em que seremos capazes de colocar fim à Guerra da Coréia. Isso acontecerá quando Kim Jong-il (líder da Coréia do Norte) livrar-se de seu programa de armas (nucleares) de forma confirmável", afirmou Bush."Se o senhor pudesse ser um pouco mais específico", disse Roh ao presidente norte-americano.Bush acrescentou então que se referia a um acordo de paz. Os combates travados durante a Guerra da Coréia (1950-53) terminaram sem um acordo de paz efetivo.Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, que lutou ao lado da Coréia do Norte naquele conflito e que participou do cessar-fogo original, disse que Roh havia levantado a questão em um encontro com o presidente chinês, Hu Jintao, realizado naquele mesmo dia.Segundo o porta-voz, a China mantinha uma "atitude positiva" em relação às chances de ser selado um acordo de paz.Na próxima semana, especialistas do setor nuclear dos EUA, da China e da Rússia visitarão a Coréia do Norte a fim de inspecionar as instalações atômicas do país que devem ser desativadas. RússiaE, enquanto Bush tentava dar mostras de interesse pelas questões asiáticas, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, buscava abrir novos canais de comunicação."Laços mais fortes com a Apec complementam naturalmente nossos planos de desenvolvimento econômico da Sibéria e do Extremo Oriente", disse Putin.Na sexta-feira, o dirigente assinou um importante acordo para comprar urânio australiano a ser usado como combustível em usinas de energia - um dia depois de fechar com a Indonésia um contrato de US$ 1 bilhão envolvendo a venda de armas.A Austrália detém 40% das reservas mundiais de urânio, mas só aceitou vender o mineral para os russos depois de ter recebido garantias de que a substância não será repassada ao Irã ou à Síria. A Rússia mantém boas relações com esses dois países.Os russos disputam com os norte-americanos e os chineses o papel de líder da região. Putin deseja que a Rússia receba a cúpula da Apec de 2012.

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