Bush busca aliados no Afeganistão para derrubar o Taleban

Numa estratégia desenhada para tentar isolar politicamente o Taleban, o presidente George W. Bush aprovou um plano secreto de apoio aos vários grupos que lutam contra o governo do partido de fanáticos muçulmanos que controla o governo de Cabul. Segundo o New York Times, que adiantou a informação, o líder americano liberou, paralelamente, uma verba de US$ 100 milhões para assistência humanitária imediata a cerca de 1,5 milhão de refugiados afegãos que, segundo as Nações Unidas, já chegaram ou estão a caminho do Paquistão.A ONU estima que entre 2 e 3 milhões de afegãos, além dos que estão deixando o Afeganistão, estão à beira da fome no interior do país. A administração americana não mencionou o custo da operação para armar e treinar os dissidentes e adversários internos do Taleban. Segundo relatos de agências noticiosas, a Aliança do Norte, que é o mais forte dos grupos que se opõe ao Tabelan, teria pedido US$ 50 milhões por mês para Washington. O dinheiro de Washington não se limitaria a financiar armas, mas também ofertas de suborno a membros e simpatizantes do Taleban dispostos a mudar de lado para salvar a pele.Uma alta fonte do departamento de Estado disse hoje que não cabe aos Estados Unidos determinar como os afegãos devem governar seu país. "Mas eles certamente merecem algo melhor do que o Taleban". Segundo a fonte, os EUA têm mantido contato com os líderes da Aliança do Norte e com o rei King Zahir Shah, que foi deposto nos anos 70 e vive exilado desde então em Roma.Washington apóia a convocação do "Loya Jirga", ou "grande conselho", uma idéia proposta pelo antigo monarca para articular a oposição e remover o Taleban do poder, informou o alto funcionário. "Nós certamente apoiaríamos se isso é o que as facções no Afeganistão querem fazer", disse ele."O propósito (do apoio dos EUA aos dissidentes) é aumentar sua capacidade da oposição de agir contra o Tabelan", fornecendo inteligência e infantaria, disse um alto funcionário das administração. Tal ação, por parte dos Estados Unidos, parece cada dia mais provável no futuro, disse hoje, em entrevista à CNN, o presidente do Paquistão, general Perevez Mushrraf.Perguntado se os dias do Taleban estavam contados, Mushrraf respondeu : "parece que sim; creio que os EUA partirão para a ação no Afeganistão e nós transmitimos isso ao Taleban", disse ele. O líder paquistanês sugeriu que uma das razões para o ataque não ter começado poderia ser a presença de cerca de dez missionários religiosos presos no Afeganistão acusados de querer converter os afegãos ao cristianismo.Com uma ação militar contra o Afeganistão claramente em preparação, o presidente George W. Bush disse hoje que os Estados Unidos estão progredindo na frete financeira da guerra contra o terrorismo. Como prova, ele citou o congelamento de US$ 6 milhões em ativos "ligados a atividades terroristas" em 30 contas nos Estados Unidos e em 20 contas em outros países que teriam ligações diretas ou indiretas com Osama Bin Laden e sua organização, a Al Qaueda, que opera sob a proteção do Taleban e a quem Washington atribui a responsabilidade pelos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono.Bush comemorou também a prisão, no Paquistão, de Zayd Hassan Safarini, ex-membro da organização do palestino Abu Nidal que seqüestrou um avião da PanAmn em 1986. Dois americanos morreram no episódio. Além disso, a rede de televisão ABC informou que o FBI frustrou um ataque terrorista contra Torre Seara, em Chicago. Num sinal de retorno à normalidade nos EUA, a administração disse que examinará ao longo dessa semana a reabertura do aeroporto Ronald Reagan, em Washington, o único do país que permanece fechado. Uma das rota de aproximação do aeroporto coloca os aviões praticamente em cima do Pentágono e muito perto da Casa Branca.

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