Bush chega à França em meio a fortes protestos

Ao chegar à França, neste sábado, para participar das comemorações dos 60 anos do Dia D, o desembarque aliado na Normandia, o presidente americano, George W.Bush, encontrou Paris num aparente estado de sítio, com cerca de 7 mil policiais e agentes de segurança nas ruas para garantir a ordem na cidade, palco de manifestações de protesto contra a presença dele.Agitando bandeiras cubanas, iraquianas, palestinas e francesas e fotos do presidente americano com o bigode de Adolf Hitler, dezenas de milhares de ativistas gritavam em coro nas Praças da Bastilha e da República: "Bush, terrorista número 1", "EUA fora do Iraque, Bush fora da França".Outros exibiam cartazes com dizeres como "Libertação da França, ocupação do Iraque", "Polícia em todo lugar, Justiça em nenhuma parte". Vigiada de perto pelo excepcional esquema de segurança, a concentração transcorreu sem incidentes graves.Diante desse cenário, mas sem ser importunado em nenhum momento, Bush reuniu-se a portas fechadas com Chirac no Palácio do Eliseu - numa tentativa de ambos de restabelecer a plenitude das relações entre França e EUA seriamente prejudicada pelo ataque anglo-americano ao Iraque e a utilização de argumentos inconsistentes para justificá-lo.Ao final, os dois presidentes concederam uma entrevista coletiva à imprensa.Bush lembrou as "lições eternas" do Dia D, que marcou o início do fim da Alemanha nazista, para ressaltar que é preciso sacrificar-se em favor da defesa dos valores ocidentais. Referiu-se ao conflito iraquiano, reafirmando a "pronta entrega" da soberania do país a um governo local.Afirmou também que as tropas americanas permanecerão na região, a pedido dos dirigentes iraquianos.Chirac expressou "profunda apreensão" com o que classificou de "desordem reinante no Iraque". E disse esperar a aprovação nos próximos dias na ONU de uma resolução que permita dar plena soberania ao Iraque.Depois, o presidente francês destacou que, apesar das "bem conhecidas" divergências sobre o conflito, ele e Bush estão de acordo sobre a necessidade de uma resolução que "restaure a segurança, a paz e a estabilidade no país árabe".Quanto à reunião entre os dois governantes, assessores do Eliseu disseram que o presidente francês não tem a menor esperança sobre a capacidade do colega americano para mudar sua retórica ou sua política sobre Iraque nos encontros que manterá neste fim de semana na Normandia com numerosos dirigentes europeus.

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