Bush chega de surpresa ao Iraque e faz menção à redução de tropas

Pela primeira vez, líder americano diz que pode diminuir presença militar no país, se segurança se estabilizar

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

Bagdá - Em visita-surpresa ao Iraque, o presidente americano, George W. Bush, afirmou, pela primeira vez, que pode reduzir as tropas americanas no país, caso a situação de segurança no território iraquiano continue a melhorar. "O general (David) Petraeus e o embaixador (Ryan) Crocker informam-me que, se o sucesso que estamos vendo permanecer, será possível manter o mesmo nível de segurança com menos soldados americanos", disse o presidente, ao visitar a Base Aérea Asad, na Província de Anbar, oeste do país. Tanto a declaração de Bush como a escolha de Anbar para a visita indicam uma mudança com um claro objetivo político. Por um lado, pretendem desviar o foco de atenção do Congresso, a exatamente uma semana da apresentação do aguardado relatório de Petraeus sobre a situação no Iraque. Ele irá avaliar o impacto da decisão de Bush de enviar 30 mil soldados extras ao Iraque no início do ano. Além disso, escolher Anbar como destino é uma maneira de respaldar o argumento da Casa Branca de que os esforços no Iraque estão produzindo resultados. Isso porque há alguns meses Anbar era o principal foco da insurgência sunita e hoje - após líderes tribais sunitas se rebelarem contra a Al-Qaeda - a violência na província foi controlada.Segundo Bush, as mudanças em Anbar são um exemplo do que poderia ocorrer com o Iraque. Ele ressaltou que no ano passado a província estava mergulhada em violência. "Hoje, Anbar é um lugar bem diferente."Em discurso aos marines, Bush ponderou que "todas as decisões terão como base uma avaliação feita com calma por comandantes militares sobre as condições no país, e não serão uma reação nervosa de políticos de Washington a pesquisas de opinião e à imprensa".O presidente indicou que quer manter, por enquanto, o número de tropas em Anbar e em Bagdá. Ele pediu que os senadores não tirem conclusões precipitadas, antes do relatório de Petraeus.Bush está sob intensa pressão da oposição democrata e até mesmo de alguns republicanos para começar a retirada de parte dos 160 mil soldados que estão no Iraque, após quatro anos de guerra e mais de 3.700 militares americanos mortos.INCAPACIDADE POLÍTICANa base militar, o líder americano também se reuniu com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, alvo de crítica de muitos democratas, que querem substituí-lo por sua incapacidade de atingir metas políticas no governo.Bush pediu que o governo iraquiano prossiga com o que ele chamou de progresso na questão da segurança. "Os avanços militares estão abrindo caminho para a reconciliação política nacional e para o desenvolvimento econômico que os iraquianos precisam para transformar seu país."O comando militar dos EUA vem afirmando que os ataques sectários diminuíram no país desde a chegada das tropas extras. Mas, enquanto alguns ganhos na segurança foram alcançados, nenhuma lei importante foi aprovada, e o gabinete de Maliki ficou paralisado pela saída ou suspensão de quase metade dos ministros. Bush estava acompanhado da secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, do conselheiro de Segurança da Casa Branca, Stephen Hadley, e do secretário de Defesa, Robert Gates. "É uma espécie de reunião do conselho de guerra", disse o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrel.Além de reunir-se com os funcionários do governo americano e com Maliki, Bush também se encontrou com o presidente iraquiano, Jalal Talabani, e com membros do governo de Anbar. Em seguida, ele falou a líderes tribais sunitas: "Quero deixar bem claro. Os EUA não abandonarão o Iraque. Não vamos abandonar nossos amigos", dando um recado aos sunitas para aceitarem Maliki, um xiita, e com isso demonstrarem que uma união nacional é possível.Após ficar apenas seis horas em território iraquiano - sob um calor de 43 graus -, Bush seguiu sua viagem rumo a Sydney, na Austrália, onde participa de uma reunião com líderes da região Ásia-Pacífico. AP, THE NEW YORK TIMES E REUTERSVISITAS RELÂMPAGOS27/11/2003 - Após 8 meses de guerra, Bush ajuda a servir o almoço do Dia de Ação de Graças a 600 soldados no Aeroporto Internacional de Bagdá, com o objetivo de levantar o moral dos 130 mil soldados no país e da opinião pública americana13/6/2006 - Segunda viagem ao país teve objetivo de transmitir apoio de Washington ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki, que só foi informado da visita de Bush cinco minutos antes de encontrá-loOntem - A terceira visita ocorre em meio a um crescente repúdio à guerra e dias antes de o comandante David Petraeus e o embaixador Ryan Crocker entregarem ao Congresso relatório sobre o envio de reforço militar ao Iraque

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.