Bush chega e se recolhe em Buckingham

Em meio a um esquema de segurança sem precedentes, o presidente americano, George W. Bush, chegou hoje a Londres para três dias de visita, como convidado da rainha Elizabeth II. O avião presidencial Air Force One aterrissou no Aeroporto de Heathrow às 19h25 locais (17h25 de Brasília). Bush e a primeira-dama, Laura, foram recebidos pelo príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, antes de a comitiva se trasladar, de helicóptero, para o Palácio de Buckingham. Ante o risco de uma ação terrorista, Londres montou a mais rigorosa e dispendiosa estratégia de segurança desde o fim da Segunda Guerra. Mais de 14 mil policiais - quase metade do total da força - patrulham as ruas da cidade e US$ 12 milhões serão investidos para evitar incidentes. Pelo menos 250 agentes de serviço secreto americano acompanham todos os passos de Bush, além de dezenas de franco-atiradores e membros de unidades antiterror. O Cadillac DeVille que será usado para os deslocamentos de Bush foi desenhado para suportar ataques com lançadores de granadas e pode resistir até mesmo a ofensivas com armas químicas ou biológicas. Além da ameaça terrorista, Bush enfrentará também a manifestação de dezenas de milhares de britânicos. Hoje mesmo, pouco antes da chegada do líder americano, grupos se manifestaram contra a visita na frente do Palácio de Buckingham - convertido numa fortaleza - e na Tate Gallery. A visita de Bush à Grã-Bretanha foi combinada logo depois da deposição do regime de Saddam Hussein no Iraque, em maio. Deveria se tornar uma grande celebração do triunfo da coalizão liderada pelos EUA na guerra. Mas com a resistência à ocupação do Iraque causando cada vez mais mortes de soldados da coalizão, a voz dos opositores da guerra ganhou força entre os britânicos. Mais de 50 soldados britânicos já morreram no Iraque, além de mais de 400 americanos e dezenas de cidadãos de outras nacionalidades. Mesmo com o esvaziamento do tom triunfalista, a visita de Bush foi mantida. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defende a visita de Bush e o estreito relacionamento com os EUA sob o argumento de que líderes como Saddam são uma ameaça para o mundo livre - uma posição que tem recebido críticas até mesmo de membros do governo trabalhista. Bush adota um discurso parecido. Depois de dizer que "compreende" a oposição dos manifestantes à guerra, afirmou que era um prazer visitar um país no qual as pessoas podiam "protestar livremente". Segundo assessores, o presidente americano deve argumentar que os EUA tomaram o caminho correto ao optar pela guerra "depois que todas as outras opções para desarmar o Iraque fracassaram". Em mais de 200 anos de história, 43 presidentes americanos visitaram oficialmente a Grã-Bretanha, mas a estada de Bush é a primeira a ser considerada uma visita de Estado - com todas as honras vinculadas à hospedagem no Palácio de Buckingham, a convite da rainha, a chefe do Estado britânico. Antes de Bush, só Woodrow Wilson, em 1918, pernoitou em Buckingham a convite de George V. Mas, na visita de Wilson, outros passos do protocolo de uma visita de Estado não foram seguidos. Bush será recebido pela rainha Elizabeth II, que lhe estenderá o tapete vermelho, uma pompa que o Palácio de Buckingham só dispensa, no máximo, a dois visitantes por ano. O líder americano só não participará do tradicional passeio de carruagem pelo centro de Londres por razões de segurança.

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