Bush convoca reunião sobre defesa

O presidente dos EUA, George W. Bush, convocou para quarta-feira em sua fazenda em Crawford, no Estado do Texas, uma reunião sobre defesa com o vice-presidente Dick Cheney e altos funcionários do setor de segurança nacional. O encontro, em meio às férias de Bush, reacendeu as especulações no país sobre a preparação, para breve, de uma intervenção militar no Iraque. No entanto, a porta-voz da Casa Branca, Claire Buchan, insistiu em que o objetivo não é discutir uma ofensiva contra o Iraque e o diretor de Comunicações da administração Bush, Dan Bartlett, insinuou que qualquer decisão sobre uma campanha militar poderia levar semanas ou meses. Oficialmente, a reunião analisará as reformas dos mecanismos de defesa e o desenvolvimento de um escudo espacial antimísseis. Estarão presentes, entre outros, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, e o chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, general Richard Myers. O ex-conselheiro de Segurança Nacional Zbigniew Brzezinski - do governo Jimmy Carter - aconselhou hoje o presidente Bush a agir com cautela na questão iraquiana. "A preparação militar e a criação de uma coalizão internacional de apoio aos EUA são necessárias, mas as coisas devem ser feitas por etapas, de forma madura, responsável e reflexiva, não com histeria, pânico e demagogia", disse à CNN. Na semana passada, outros ex-altos funcionários fizeram advertências semelhantes. Em sua edição de hoje, The New York Times reportou que o Pentágono vai enviar ao Oriente Médio armas e outros equipamentos que poderiam ser uma parte crucial dos estoques de guerra, se Bush decidir atacar o presidente iraquiano, Saddam Hussein. A ação deixou transparecer os primeiros sinais palpáveis de uma intensificação logística em torno do Iraque. Funcionários do Departamento da Defesa e representantes militares revelaram que o Pentágono contratou dois gigantescos navios cargueiros para levar veículos blindados e helicópteros, entre outros materiais, e mais oito navios de carga capazes de transportar munições, tanques e ambulâncias. A Força Aérea está estocando armas, munição e peças de reposição, inclusive motores de aviões, em depósitos no Golfo Pérsico e nos EUA. Arsenais de armas teleguiadas de precisão da Força Aérea e da Marinha, que foram devastadoras no Afeganistão, deverão ter seus estoques repostos até o fim deste ano, disseram funcionários militares. Altos representantes do Pentágono afirmam que os movimentos logísticos não representam uma ação de prontidão bélica furtiva nem deveriam ser interpretados como um sinal, ou uma prova, de que é iminente uma campanha contra o Iraque. Preocupado com as conseqüências que um ataque ao Iraque poderá ter para a estabilidade da região, o governo da Arábia Saudita - aliado dos americanos - fez novo chamamento, hoje, por uma solução diplomática ao mesmo tempo em que pediu ao Iraque que cumpra as resoluções da ONU. Em Bagdá, o Parlamento iraquiano aprovou por unanimidade a candidatura de Saddam para um novo mandato presidencial de sete anos. Ele dirige o país desde 1979.

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