Bush critica promessa de Obama de encontrar líderes 'hostis'

Atual presidente disse que seria melhor ao pré-candidato à Casa Branca focar-se na disputa contra Hillary

Reuters,

28 de fevereiro de 2008 | 17h50

O presidente dos EUA, George W. Bush, criticou duramente nesta quinta-feira, 28, o atual líder da corrida pela vaga democrata nas próximas eleições presidenciais, Barack Obama, por prometer reunir-se com o líder de Cuba, Raúl Castro, sem impor precondições.   Veja também: Bush rejeita diálogo com Raúl sem democratização de Cuba  Bush pressiona aprovação de lei de espionagem"Não estou sugerindo que nunca chegará o momento de negociarmos, mas estou sugerindo que agora não é o momento de conversar com Raúl Castro", afirmou Bush em uma entrevista coletiva concedida na Casa Branca. Obama rebateu rapidamente afirmando: "O povo norte-americano não está buscando por mais da política para Cuba de não fazer nada, que fracassou em garantir a libertação de dissidentes, fracassou em levar a democracia para a ilha e fracassou em avançar na liberdade por 50 anos". Foi a primeira grande incursão de Bush, cuja impopular guerra no Iraque consta entre os principais assuntos da corrida que definirá em novembro o sucessor dele, na disputa. Os comentários do presidente também refletem o quão atentamente observa a campanha e o quão ansioso está por resguardar seu legado. Bush ainda não formalizou oficialmente seu apoio ao pré-candidato John McCain, que tem tudo para ficar com a vaga do Partido Republicano na disputa. O apoio deve ser anunciado em breve. O dirigente, de toda forma, pareceu aderir a McCain ao criticar Obama devido aos comentários sobre o Iraque realizados por ele em um debate, na terça-feira à noite. Obama disse, durante o debate em Ohio com a pré-candidata democrata Hillary Clinton, que, tendo cumprido sua promessa de retirar rapidamente os militares norte-americanos do Iraque, não descartava a hipótese de reenviá-los para lá caso a Al Qaeda comece a estabelecer bases na região. Na quarta-feira, 27, McCain chegou perto de chamar Obama de ingênuo por sua declaração, afirmando que a Al-Qaeda já estava no Iraque, ao que o pré-candidato respondeu culpando Bush e McCain pelo fato de a rede militante estar no território iraquiano. "Acredito que o senador Obama faria melhor se mantivesse seu foco na disputa com a senadora Clinton, já que nenhum deles obteve ainda a indicação de seu partido", afirmou Bush. Obama afirmou várias vezes que estaria disposto a encontrar-se, incondicionalmente, com líderes de países hostis como Cuba e Irã, argumentando que a atual política externa dos EUA não funciona e que chegou a hora de procurar novos caminhos para melhorar suas relações internacionais. A rejeição por parte do democrata do que considera ser o pensamento tradicional de Washington colocou-o na liderança da corrida pela vaga democrata nas eleições presidenciais de novembro, superando Hillary, apontada havia muito tempo como o nome favorito dentre os democratas. Obama, 46, um senador pelo Estado do Illinois que se tornaria o primeiro presidente negro dos EUA, tem conseguido diminuir, nas pesquisas para as prévias de Ohio e do Texas, marcadas para a terça-feira, sua distância em relação a Hillary. Caso perca nos dois Estados, há poucas chances de que a pré-candidata consiga manter-se na disputa. Ao longo de seu governo, Bush rejeitou peremptoriamente a possibilidade de encontrar-se com líderes de nações hostis, afirmando que isso enviaria uma mensagem errada para o mundo. Os EUA, há décadas, rejeitam a hipótese de manter relações com o governo comunista de Cuba e, atualmente, travam um embate acirrado com o Irã devido ao programa nuclear do país islâmico --os norte-americanos acreditam que os iranianos desejam desenvolver armas atômicas; os iranianos negam. Questionado em uma entrevista coletiva sobre a disposição de Obama para reunir-se com os líderes de Cuba e do Irã, Bush disse que seria um erro manter negociações com os dois. "Gostaria de lembrar a população de que uma decisão do presidente dos EUA no sentido de reunir-se com certas figuras da comunidade internacional poderia ser extremamente contraproducente. Isso pode enviar sinais e mensagens desconfortáveis para nossos aliados. Poderia provocar confusão a respeito de nossa política externa", afirmou. Segundo Bush, a postura de Raúl, irmão do ex-presidente cubano Fidel Castro, hoje doente, não passa de "uma continuidade de seu irmão, que estava arruinando a ilha e prendendo as pessoas por causa das opiniões delas". A postura do presidente norte-americano é semelhante à de Hillary, que argumentou, em um debate realizado com Obama no Texas, na semana passada, que não deveria haver negociações com Cuba enquanto a ilha caribenha não libertar seus prisioneiros políticos e não melhorar o respeito aos direitos humanos. "A idéia de receber um líder que conseguiu isso sem tentar fazer nada de sua parte, quero dizer, sem libertar os prisioneiros e sem tornar livre sua sociedade, seria algo contraproducente e enviaria o sinal errado", afirmou Bush.

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