Bush declara vitória na primeira fase da guerra

O presidente norte-americano, George W. Bush, declarou hoje que "foram alcançados todos os objetivos da primeira fase" da campanha militar contra o dissidente saudita Osama bin Laden e sua rede terrorista al-Qaeda no Afeganistão. Falando em seu habitual programa radiofônico de sábado, Bush afirmou que a primeira fase resultou em êxito completo, dando a entender que a campanha pode estar entrando na segunda fase - a qual, supostamente, incluiria o uso de helicópteros e forças especiais em terra. "Desarticulamos a rede terrorista dentro do Afeganistão", ressaltou o presidente, destacando ainda que os EUA têm o domínio integral do espaço aéreo afegão. Bush procurou também tranqüilizar os americanos em relação a um ataque terrorista com antraz. "Estamos atentos e prontos para agir." A declaração do presidente sobre o sucesso no cenário militar cria a expectativa sobre o recurso a forças terrestres, que já estariam treinando em bases na área do Afeganistão sob controle da oposição, no Usbequistão e em Omã. O vice-presidente Dick Cheney mencionou pela primeira vez na sexta-feira tal possibilidade. "Talvez tenhamos operações especiais terrestres", disse ele à rede de televisão pública PBS. O general Richard Myers, chefe do Estado-Maior, também se referiu à fase seguinte da missão. "Como já dissemos, vai ser um esforço sustentado. O que já foi realizado integra uma plataforma para a continuação das operações. Algumas serão visíveis, mas muitas não serão." Centenas de helicópteros de ataque e transporte de tropas já estão de prontidão. Por sua vez, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, ressaltou que considera apropriado o recurso a forças terrestres. No entanto, fez questão de salientar que se referia à utilização de milicianos afegãos da Aliança do Norte, que se opõe ao Taleban e a Bin Laden. A preocupação dos comandantes militares em iniciar rapidamente as operações terrestres está relacionada também à próxima chegada de rigoroso inverno na região, com a ocorrência de fortes nevascas, com acúmulo de neve de até três metros de altura. A Grã-Bretanha já mobilizou um comando de montanha especializado em combate na neve. Ações isoladas A secretária britânica de Desenvolvimento Internacional, Clare Short, descartou a possibilidade de uma invasão em massa do território afegão. "Não haverá uma invasão maciça por terra, apenas ações isoladas", explicou Clare, apontada como um dos assessores de maior prestígio do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Erro Em mais um dia de ataques, uma bomba errou o alvo e atingiu uma área residencial de Cabul, deixando um morto e quatro feridos. Nuvens de fumaça eram vistas no horizonte e a capital ficou no escuro depois de um corte na energia elétrica. Apesar dos bombardeios, a ONU conseguiu enviar ajuda humanitária à cidade. Por sua vez, o líder supremo do Taleban, mulá Mohammed Omar, emitiu um comunicado denunciado os ataques norte-americanos e insistindo que Bin Laden não será entregue aos Estados Unidos. Segundo a agência de notícias afegã AIP, com base em Islamabad (Paquistão), Omar apelou aos muçulmanos de todo o mundo para que apoiem o Afeganistão. "Os americanos estão deixando nossas crianças órfãs e nossas mulheres viúvas... Os muçulmanos estão vendo estas crueldades contra o Afeganistão com seus próprios olhos", disse o líder, segundo a AIP. Mais cedo, o Taleban havia rechaçado uma "segunda chance" oferecida por Bush para a entrega de Bin Laden. Leia o especial

Agencia Estado,

13 Outubro 2001 | 15h24

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