Bush desembarca na Espanha

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, desembarcou por volta das 9h30 de hoje (5 horas de Brasília) em Madri, em sua primeira visita oficial à Europa. Bush, aliás, nunca pôs os pés em solo europeu. Em sua visita à Espanha, o presidente norte-americano encontrará com o Rei Juan Carlos e a Rainha Sofia no Palácio de Zerzuela. Depois, ele se reunirá com o primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar.Durante sua viagem a cinco países (Espanha, Eslovênia, Bélgica, Suécia e Polônia), Bush participará de uma reunião de cúpula da Otan em Bruxelas e de uma reunião de cúpula da União Européia em Göteborg. Bush também tem um compromisso marcado com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de quem ouvirá algumas queixas.Bush será bastante questionado sobre algumas das medidas tomadas em seus primeiros meses de governo. A desenvoltura com que Bush atirou ao cesto do lixo o Tratado de Kyoto contra o "efeito-estufa" e o projeto de desenvoler um escudo antimísseis, que viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos, de 1972, desagradaram profundamente os europeus.Os poucos meses que passaram após sua eleição mostraram que Bush, embora não seja um "superdotado" nem tenha a inteligência e a graça de Bill Clinton, não é um débil mental, como os jornalistas europeus se compraziam em descrevê-lo.Membros da comitiva de Bush garantem que o presidente vai fazer um mimo, "vai oferecer uma flor" aos seus anfitriões no campo da ecologia. Podemos apostar que será uma "pequena flor" e não muito perfumada, porque Bush não quer ou não pode se indispor com as indústrias poluentes e repensar a decisão de não assinar o Tratado de Kyoto.No caso do escudo antimísseis, Bush pretende mostrar aos europeus que não se deixará intimidar. A prova é esta: os norte-americanos irão fazer um "teste de interceptação" em julho, a partir das ilhas Marshall. O secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, informou à Otan que poderia instalar as primeiras rampas antimísseis antes mesmo que o sistema seja totalmente eficaz. Segundo a Boeing, os cinco primeiros mísseis deverão estar em posição em 2004 (ano da renovação do mandato de Bush).Mas, apesar dessas asperezas, podem ser pressentidos alguns sinais de flexibilidade. Como Clinton, Bush teria compreendido que a Europa não pode mais ser tratada como um simples peão no jogo de xadrez do mundo.No início, Bush parecia estar sendo tentado a fazer um governo voltado aos problemas domésticos. Mas as coisas estão evoluindo. Um ministro, de passagem por Washington, disse há alguns dias: "Cada dia que passa caminha no sentido de um engajamento do governo Bush nos assuntos do mundo".

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