Bush desqualificou informações do Iraque para mostrar ´a verdade´

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu nesta segunda-feira ter desqualificado informações secretas sobre o Iraque para mostrar "a verdade" aos americanos, mas não disse se autorizou um alto funcionário de seu governo a divulgá-la. Bush informou que tinha autorizado a desqualificação de um relatório de inteligência antes da invasão do Iraque, em março de 2003, para que os cidadãos pudessem saber "a verdade". Depois da invasão do país árabe, "as pessoas faziam perguntas", acrescentou Bush em um ato na Escola de Estudos Internacionais da Universidade John Hopkins de Washington. "Queria que as pessoas vissem em que se baseavam algumas dessas declarações (antes da guerra). Queria que vissem a verdade. Pensei que fazia sentido que (as pessoas) vissem a verdade, e por isso desqualifiquei o documento", disse Bush. No entanto, o presidente não falou sobre as alegações reunidas em documentos judiciais, segundo as quais ele teria oferecido informação secreta a seu ex-assessor e ex-chefe de Gabinete do vice-presidente Dick Cheney, Lewis Libby, processado por perjúrio e obstrução à Justiça. De acordo com esses documentos, Bush teria autorizado pessoalmente que Libby divulgasse informações confidenciais sobre as supostas tentativas do Iraque de desenvolver um programa nuclear. Libby é um dos principais protagonistas do caso Valerie Plame. A polêmica em torno da divulgação da identidade dessa espiã da CIA começou depois que o colunista conservador Robert Novak publicou o nome da agente, manobra entendida como uma "vingança" da Casa Branca. Plame é esposa de Joe Wilson, um ex-embaixador americano que criticou os motivos alegados pelo governo dos EUA para ir à guerra com o Iraque. O vazamento de informações cometido por Libby aconteceu em 8 de julho de 2003, dez dias antes de a Casa Branca anunciar oficialmente que tinha suspendido o sigilo sobre o relatório confidencial.

Agencia Estado,

10 Abril 2006 | 18h52

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