Bush diz à UE que quer fechar Guantánamo

O presidente George W. Bush garantiu nesta quarta-feira durante a cúpula entre Estados Unidos e União Européia (UE) que pretende fechar a prisão de Guantánamo, mas disse que antes é preciso decidir o que fazer com os detentos. Segundo Bush, parte dos presos são perigosos, e não poderiam simplesmente ser soltos ou deportados.Durante o encontro, representantes europeus e americanos aprovaram uma declaração em que ambas as partes garantem que a luta contra o terrorismo será realizada respeitando os direitos humanos e o direito humanitário internacional. A declaração, no entanto, não mencione explicitamente o caso de Guantánamo."Quero acabar com Guantánamo", afirmou Bush na entrevista coletiva após a cúpula de Viena, na qual destacou que "entende" as preocupações expressadas pelos líderes da UE sobre a questão.Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que solicitava à UE o encaminhamento de um pedido de fechamento de Guantánamo aos Estados Unidos durante a cúpula bilateral realizada nesta quarta-feira.Assassinos a sangue-frioBush afirmou que alguns dos cerca de 400 detidos de Guantánamo são "assassinos a sangue-frio" que "precisam ser julgados" nos EUA. Para isso, espera que a Corte Suprema determine qual é a instância "adequada" para processá-los.O presidente americano disse também que seu país vai decidir o que fazer com os presos da Arábia Saudita, do Iêmen e do Afeganistão, que somam a maioria dos detentos. Bush afirmou que espera resolver o assunto enviando os prisioneiros a seus países de origem: "manifestei meu desejo de pôr fim a este programa, mas não podemos pôr na rua gente que pode causar danos".Para o presidente rotativo do bloco europeu, o chanceler austríaco Wolfgang Schüssel, os países de origem dos presos de Guantánamo devem receber a ajuda necessária para que tenham condições de receber, "acusar ou libertar" os detidos.DeclaraçãoO projeto de declaração da cúpula entre a UE e EUA destaca que as duas partes garantem "que as medidas tomadas para combater o terrorismo cumprem totalmente com as obrigações internacionais, incluindo a legislação sobre direitos humanos, sobre refugiados e a lei humanitária internacional", afirmaram fontes diplomáticas.No entanto, a declaração não menciona o centro de detenção de forma específica, uma vez que se refere ao conjunto de atividades da luta contra o terrorismo e abrange outras prisões que os Estados Unidos possam ter, acrescentaram as fontes.A declaração da cúpula destaca também a "grande importância" dada por europeus e americanos ao diálogo comum sobre a luta contra o terrorismo e as "respectivas obrigações legais nacionais e internacionais".Para Schüssel, a discussão de hoje "foi além" do centro de detenção de Guantánamo, abrangendo outros aspectos importantes da aliança entre americanos e europeus."Não deve haver zonas cinzentas, não deve haver vazio legal", disse o presidente rotativo da UE, que afirmou que o bloco recebeu "sinais e compromissos claros" de que os Estados Unidos não cometerão torturas nem atuações extraterritoriais na luta antiterrorista.Mesmo assim, Schüssel advertiu que os europeus não devem "ser ingênuos" em relação ao terrorismo ou aos Estados Unidos. As políticas do Governo de Washington costumam ser impopulares na Europa. Além do pedido pelo fechamento de Guantánamo, o Parlamento Europeu investiga a utilização de prisões secretas e vôos clandestinos pela CIA para transferir presos acusados de terrorismo. Segundo o relatório inicial do eurodeputado Giovani Fala, os detentos são levados a países suspeitos de violar os direitos humanos para serem interrogados.

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