Bush diz aos americanos que guerra está "no começo"

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou neste domingo que "Saddam Hussein está perdendo controle de seu país e nós estamos, devagar mas com certeza, atingindo nosso objetivo".Diante dos sinais de forte resistência iraquiana em vários pontos do país e das primeiras más notícias da invasão, Bush e membros do gabinete e do comando militar procuraram preparar os norte-americanos para um conflito mais longo e mais difícil do que sugeriam as primeiras imagens do campo de batalha e a expectativa de um rápido colapso do regime iraquiano, criada por pronunciamentos da administração, pelos relatos dos jornalistas que cobrem o conflito e pelos ex-generais e outros oficiais reformados que atuam como analistas da guerra nos vários canais de televisão norte-americana."É importante que o povo americano tome consciência de que a guerra apenas começou", disse Bush, nos jardins da Casa Branca, pouco depois de desembarcar no helicóptero que o levou da casa de campo presidencial de Camp David, nas montanhas de Maryland. "Pode parecer que (a guerra começou) faz muito tempo, por causa de toda a ação (que se vê) na televisão, mas em termos da nossa estratégia mais ampla, estamos apenas nas fases iniciais e estamos executando um plano que tornará mais fácil atingir nossos objetivos e, ao mesmo tempo, poupar vidas inocentes", disse.Dura lutaMas os EUA e os aliados estão "apenas no começo de uma dura luta", disse o presidente, alimentando a ansiedade dos norte-americanos, que apóiam as tropas e Bush, mas são ambivalentes sobre a decisão do governo de lançar o país numa guerra condenada pela opinião pública internacional e que já provoca protestos em grandes cidades norte-americanas.O chefe do Estado Maior Conjunto norte-americano, general Richard Meyers, foi mais claro do que Bush sobre os desafios e obstáculos que esperam as forças norte-americanas no campo de batalha. "Claramente, (os iraquianos) não são uma força derrotada", disse ele, na rede ABC. "Aqueles que disseram que isso (a guerra) vai levar algum tempo, estão certos. A parte mais difícil está ainda por vir; nós esperávamos a reação que tivemos até agora, mas o futuro será um pouco mais difícil". Meyers acrescentou que não tem dúvida sobre o resultado final, mas informou que negociações sobre rendição em curso com forças iraquianas envolvem apenas "os níveis inferiores".Tratamento humano aos presosNo momento em que o presidente Bush falava com os jornalistas, ele ainda não tinha visto as imagens divulgadas pelo governo de Bagdá mostrando soldados norte-americanos mortos e capturados por forças iraquianas. Sem demonstrar emoção, o presidente norte-americano disse esperar que os prisioneiros norte-americanos sejam tratados "humanamente, como nós tratamos os prisioneiros iraquianos".Horas depois de ter sido exibido pela Al Jazira, a emissora de Catar, e por televisões ao redor do mundo, o vídeo dos prisioneiros capturados e mortos não havia sido mostrado por nenhum canal de televisão nos Estados Unidos - não se sabe se a pedido do Pentágono ou em consideração da Terceira Convenção de Genebra sobre guerra, que torna ilegal mostrar imagens de prisioneiros de guerra como objetivos de "curiosidade pública".O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, denunciou repetidamente a divulgação e exibição das imagens dos prisioneiros norte-americanos como uma violação da Convenção de Genebra.Inaceitável e repugnanteDurante uma entrevista, o general John Abizaid, do Comando Central norte-americano, em Doha, repreendeu um repórter da Al Jazira pela apresentação do vídeo iraquiano, que classificou de "inaceitável" e "repugnante".Falando num dos programas dominicais de que participou, Rumsfeld insistiu que o desfecho da guerra não está em dúvida e que ela terminará com a remoção do regime de Saddam Hussein. Mas, a exemplo de Bush e Myers, o secretário de Defesa também procurou reduzir as expectativas dos norte-americanos sobre uma vitória rápida e indolor.Rumsfeld evitou responder perguntas sobre a duração da guerra e preocupou-se em preparar o espírito da população para novas supressas desagradáveis ao longo do caminho. "Haverá dias difíceis à frente", afirmou. "Guerras são imprevisíveis; ainda há um grande número de dificuldades e de coisas que ainda estão no futuro e que podem dar errado. Quanto a guerra vai durar, quantas baixas haverá não é sabível, e esta é simplesmente a única coisa honesta que se pode dizer".Essas perguntas e o previsível aumento do número de vítimas dos dois lados continuarão a testar o suporte político dos norte-americanos à guerra à medida em que as forças invasoras se aproximarem da capital iraquiana, Badgá, uma cidade de 5 milhões de pessoas. Controle do IraqueNeste domingo, a despeito de declarações em contrário de Washington e do comando central em Doha, o governo de Saddam Hussein continuava a exibir uma boa medida de comando e controle sobre várias regiões do país, a partir da capital, depois de dias de bombardeio norte-americano sobre alvos militares e da estrutura do regime. Isso foi ilustrado pela entrevista coletiva dada pelo ministro da Defesa do Iraque, Mohamd Said al-Sahhaf, e por declarações do vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, informando sobre a captura de soldados norte-americanos no sul do país.Outros fatos sublinhavam hoje as crescentes dificuldades que aguardam os EUA e a Inglaterra na campanha de invasão e ocupação do Iraque. A captura de soldados do 507º batalhão de manutenção do exército, encarregado de fazer o suprimento das tropas que avançam na direção de Bagdá, numa aparente emboscada, aconteceu numa área do sul do país que supostamente já estaria sob controle norte-americano. Isso significa que os iraquianos continuavam hoje capazes de operar por trás da linha de frente norte-americana.Não havia, tampouco, sinais de rendição maciça de tropas iraquianas. Além disso, as forças norte-americanas e britânicas ainda não haviam entrado em Basra e continuavam a enfrentar resistência tantos nos arredores da cidade como no porto de Umm-Qasr, mais ao sul, que teria caído sob o controle norte-americano e inglês no segundo dia da guerra.Força irregularEm Najaf, a 160 quilômetros ao sul de Bagdá, uma unidade da infantaria blindada levou sete horas para silenciar uma força irregular iraquiana armada com metralhadoras montadas em peruas de passeio. "Nem foi uma luta justa e eu não sei por que eles simplesmente não se renderam", disse, depois da batalha, o coronel Mark Hildebrand, comandante do 937º Grupo de Engenharia do exército dos EUA. O general Abizaid admitiu que marines foram mortos e feridos em Al Nsiriyah, ao norte de Nasra, na qual, segundo ele, ocorreu "o mais agudo engajamento" da guerra, até agora. O Ministério da Informação iraquiano afirmou que 25 soldados americanos morreram em Nazitiyah. Veja o especial :

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