Bush diz em Xangai que comércio mundial é arma contra o terror

Assegurando que os Estados Unidos vencerão o terrorismo com a expansão e promoção do comércio mundial, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou nesta quinta-feira a Xangai para participar da reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, em inglês). A viagem de Bush em meio aos bombardeios contra bases do terrorista Osama bin Laden no Afeganistão marca também uma mudança da política da Casa Branca em relação à China. Pouco antes dos atentados de 11 de setembro, Bush definira a China, cujas relações andavam abaladas desde o pouso forçado de um avião espião norte-americano em território chinês, como um "competidor estratégico". Hoje, na busca do apoio chinês à luta contra o terrorismo, a nova política dele estaria muito próxima da seu antecessor Bill Clinton, que qualificava a China de "parceiro estratégico". O Air Force One desceu à noite no aeroporto de Xangai. Uma comitiva de mais de 20 altos funcionários chineses deu as boas vindas ao presidente norte-americano, que rumou para um hotel cercado de medidas excepcionais de segurança. Os ataques terroristas nos Estados Unidos, que deixaram mais de 5 mil mortos, impressionaram os chineses, que mobilizaram mais de 10 mil homens no policiamento da cidade. O esquema de segurança inclui também patrulhamento aéreo por helicópteros. Além disso, foram bloqueadas mais de 100 ruas ao redor da sede da cúpula da Apec, que reunirá a partir desta sexta-feira representantes de 21 países. Bush disse ainda nos EUA que debaterá temas econômicos e comerciais, mas deixou claro que a luta contra o terrorismo terá o maior espaço na pauta de trabalho. "A principal coisa que passa pela minha mente é continuar reunindo o mundo contra o terror e lembrar os líderes que esse mal não conhece fronteiras", afirmou. Segundo fontes diplomáticas, a China apóia a luta contra o terrorismo, porque tem fronteiras com países islâmicos e enfrenta separatistas muçulmanos na província de Uighur. Além disso, pretende o reconhecimento norte-americano de seus "direitos" sobre o Tibete e Taiwan. A tarefa de Bush nos cinco dias da conferência não será fácil. Ele quer sair com a aprovação integral da política antiterrorista de uma região que detém mais de 2 bilhões de habitantes - muitos deles muçulmanos. Países islâmicos como a Malásia e a Indonésia concordam com o combate ao terrorismo, mas condenam o bombardeio ao Afeganistão. Temem que um engajamento na luta possa redundar em uma profunda desestabilização política interna. Tanto o primeiro-ministro malaio, Mhathir Mohamad, como a presidente indonésia, Megawati Sukarnoputri, vêm enfrentando repetidas manifestações de protesto contra os EUA em seus países. No sábado, Bush reúne-se com o colega russo Vladimir Putin, que facilitou a operação militar norte-americana no Afeganistão, cedendo bases militares no Usbequistão e oferecendo apoio logístico e também de inteligência. Em troca, o chefe do governo russo espera obter o respaldo da Casa Branca para a política russa na república separatista muçulmana da Chechênia e evitar que os Estados Unidos abandonem o Tratado Antimísseis Balísticos de 1972. Leia o especial

Agencia Estado,

18 Outubro 2001 | 20h18

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