Bush diz que críticas de Schroeder não vão apenas "ir embora"

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse hoje que a tensão nas relações entre os Estados Unidos e a Alemanha devido a críticas a políticas norte-americanas durante a campanha eleitoral do chanceler Gerhard Schroeder não vai apenas "ir embora". "Não acho que alguém deveria ficar surpreso, que palavras e ações tenham consequências e elas possam apenas ir embora depois da eleição", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. "Obviamente, as relações estão tensas entre os governos".O chanceler alemão buscou ajuda aos aliados europeus para reaver a boas relações com Bush. Em um duplo esforço, Scroeder viajou para Londres para encontrar-se com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o mais fiel aliado dos EUA na questão do Iraque, enquanto o ministro da Defesa, num encontro com colegas da Otan na Polônia, ofereceu que a Alemanha assuma o comando da força internacional de segurança no Afeganistão.A viagem de Schroeder a Londres foi o primeiro passo de uma longa jornada diplomática destinada a normalizar as relações entre os dois países. No entanto, o presidente Bush tem até agora desconsiderado a abertura oferecida por Schroeder, e rompeu o protocolo ao não enviar as habituais congratulações pela reeleição do chanceler.As declarações do porta-voz de Bush dois dias depois de Schroeder ter vencido a reeleição por estreita margem - numa campanha marcada por fortes críticas de Schroeder a Bush e uma das ministras comparando as táticas do presidente norte-americano com as de Adolf Hitler - mostram que autoridades da administração Bush não estão com pressa em acalmar as relações entre os EUA e a Alemanha.O secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld foi a autoridade norte-americana que demonstrou mais explicitamente o incômodo da administração. Ele recusou-se a se encontrar com o ministro da Defesa de Schroeder, Peter Struck, durante o encontro da Otan em Varsóvia, Polônia. Durante uma sessão de fotos com todos os 19 chefes da Defesa da Otan, Rumsfeld evitou Struck.Falando a repórteres, Struck expressou confiança em que o mal-estar possa passar. "Acho que vamos retornar a uma relação de trabalho muito normal", afirmou Struck. "Devagar, mas sempre".Uma autoridade norte-americana afirmou na segunda-feira que a administração estava insatisfeita com a repetida oposição de Schroeder às políticas dos EUA em relação ao Iraque, aquecimento global, pena de morte e Tribunal Penal Internacional, assim como com as restrições de Washington ao livre comércio. Schroeder já se havia mostrado ansioso em restaurar as relações americano-alemãs, dizendo que a ministra que teria comparado Bush com Hitler não fará parte do próximo ministério. Schroeder também insistiu em que a amizade desenvolvida sob as tensões da Guerra Fria continua forte. Aliados, ponderou, podem sobreviver a diferenças - como em relação ao Iraque, aquecimento global, subsídios agrícolas e tarifas sobre o aço."Sempre tratamos essas questões de uma forma amistosa, sem jamais entrar em tais excitados debates", disse. "É por isso que penso que as bases das relações EUA-Alemanha são tão seguras que os temores que borbulharam durante a campanha eleitoral na Alemanha não têm fundamento".Schroeder sublinhou que, ao contrário de seus assessores, ele nunca atacou Bush pessoalmente. "Desacordos sobre questões nunca devem ser personalizados", afirmou.

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