Bush diz que "jogo acabou" e pressiona a ONU

Em nova ofensiva diplomática para ganhar apoio a um ataque ao Iraque, o presidente dos EUA, George W. Bush, se mostrou hoje disposto a negociar uma segunda resolução do Conselho de Segurança (CS) da ONU para aprovar o uso da força militar contra o Iraque - como vêm insistindo vários membros do CS.No entanto, a aparente concessão da Casa Branca embutiu também um ultimato. "O jogo acabou", disse ele, advertindo os países membros de que não poderão voltar atrás e terão de assumir os termos da Resolução 1.441, aprovada em novembro, que ameaçava o Iraque com "sérias conseqüências". O discurso foi recheado de menções às supostas provas apresentadas no dia anterior pelo secretário de Estado, Colin Powell, em reunião no CS.Nos últimos dias a Casa Branca abandonou paulatinamente a ênfase na possibilidade de uma ação unilateral se não obtivesse o apoio do CS e se mostrou mais propensa a aceitar a possibilidade de votação de uma nova resolução.A mudança é motivada pela oposição da França, China e Rússia (países com direito a veto no CS) a um ataque sem o endosso desse conselho e à pressão do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair. Pesquisas mostram que a grande maioria dos britânicos se opõe a uma guerra sem o aval da ONU e o próprio Blair admitiu que seria difícil convencer a população.Blair se declarou confiante hoje em ter o apoio da França, Rússia e outros membros céticos do CS a uma ação militar, se for provado que o Iraque está violando as resoluções da ONU. "Não acho que haverá vetos", afirmou.O chefe dos inspetores de armas da ONU, o sueco Hans Blix, e o diretor da Agência Internacional de energia Atômica (AIEA), Mohamed el-Baradei, exigiram hoje uma mudança drástica de atitude do Iraque. Blix frisou que o Iraque não tem cooperado suficientemente em desarmamento e, se não modificar essa atitude, seu próximo relatório ao CS vai refletir isso. "O Iraque tem de apresentar as armas proibidas ou provas de que as destruiu", disse Blix."A mensagem do Conselho de Segurança é muito clara: que o Iraque não está cooperando, que precisa mostrar uma mudança drástica em termos de cooperação", afirmou el-Baradei, pouco depois de sair, junto com Blix, de um encontro com Blair, em Londres.Os dois iniciarão no sábado, em Bagdá, uma nova ronda de conversações com altos funcionários locais e esperam obter respostas para as acusações de Powell. Eles terão de fazer novo relato ao CS no dia 14 - Blair indicou que esse novo balanço poderá ser o prazo final para uma decisão sobre um ataque."Vamos enviar uma carta detalhada ao Conselho de Segurança que será a resposta oficial a todas as alegações de Powell, que serão rebatidas ponto por ponto", declarou hoje o principal conselheiro de Saddam, Amir al-Saadi, que classificou as acusações de "ultrajantes" e "não convincentes".

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