Bush diz que prisões secretas da CIA têm "valor inestimável"

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assegurou neste sábado que o "programa" de detenções em prisões secretas da CIA teve importância de "valor inestimável" para melhorar a "segurança" do país e de seus aliados após os atentados de 11 de setembro de 2001.As declarações de Bush foram feitas em seu habitual discurso radiofônico aos sábados, que, a um dia do aniversário dos ataques em Nova York, Washington e Pensilvânia, esteve voltado para a luta contra o terrorismo.Na quarta-feira passada, o líder americano reconheceu a existência dessas prisões secretas e anunciou que 14 detidos nesses centros seriam transferidos para a base naval de Guantánamo, em Cuba.Em discurso na Casa Branca, Bush indicou esta semana que o "pequeno número" de detidos nessas instalações inclui suspeitos do planejamento dos atentados de 11 de setembro de 2001 e responsáveis por ataques contra alvos americanos no Iêmen, Quênia e Tanzânia.Neste sábado, Bush ressaltou que informações obtidas nos interrogatórios desses prisioneiros "também ajudaram a frustrar tentativas de uma célula da rede Al-Qaeda de obter armas biológicas, identificar indivíduos que buscavam alvos para ataques e impedir uma ação contrauma base de marines no Djibuti".Segundo Bush, informações fornecidas por essas pessoas preveniram um ataque contra o consulado dos EUA em Karachi e ajudaram a desmantelar um suposto complô de muçulmanos britânicos para explodir vários aviões em pleno vôo.Entre os 14 presos que seriam trasladados a Guantánamo está Khalid Sheik Mohammed, provável número três da rede terrorista Al-Qaeda em 2003, quando foi capturado no Paquistão."Sabemos o que os terroristas pretendem porque eles têm nos contado. Esperam instaurar um império totalitário islâmico em todo o Oriente Médio, que eles chamam de ´Califado´, onde tudo seria regido de acordo com sua ideologia baseada no ódio", disse Bush.O presidente lembrou palavras do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, segundo as quais "a morte é melhor do que viver nesta terra com incrédulos". "Devemos levar seriamente em conta tais palavras de extremistas e devemos atuar com firmeza para impedir que estes consigam atingir suas metas malignas", acrescentou.Em seu discurso radiofônico, o governante americano reiterou seu apelo ao Congresso para que aprove a legislação que permita a criação de comissões militares para julgar suspeitos de terrorismo por crimes de guerra."Assim que estas comissões militares forem autorizadas, processaremos estes homens e enviaremos uma mensagem clara aos assassinos de americanos: não importa o quanto demore, mas os encontraremos e os levaremos à Justiça", disse Bush. O presidente também reiterou que os EUA são hoje "mais seguros (do que antes dos atentados), porque foram preenchidos os vazios existentes em matéria de segurança". Neste sentido, o congressista democrata Sherrod Brown afirmou neste sábado que, cinco anos depois dos atentados de 11 de setembro, os "EUA não são um país tão seguro como poderiam e deveriam ser"."Neste aniversário do 11 de setembro devemos dar novo foco aos nossos esforços na luta contra o terrorismo, dando por concluído nosso compromisso com o Iraque e redirecionando nossos esforços para destruir a Al-Qaeda", ressaltou Brown.O presidente Bush abrirá no domingo, 10, os atos comemorativos dos atentados de 11 de setembro com a colocação de uma coroa de flores na "ZonaZero" de Nova York. Em seguida, o governante norte-americano assistirá a uma missa.

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