Bush diz que Rumsfeld e Cheney ficam até 2009

O presidente americano, George W. Bush, disse nesta quarta-feira que pretende manter em seus cargos até o fim de seu mandato, em janeiro de 2009, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e o vice-presidente Dick Cheney. Rumsfeld e Cheney - "falcões" do gabinete, favoráveis à manutenção da linha dura nas relações externas - são dois dos mais criticados integrantes da administração Bush. Rumsfeld teve sua renúncia exigida neste ano tanto por políticos da oposição democrata quanto pelos republicanos, que o responsabilizam pelos erros de planejamento da guerra do Iraque. Mais de 2.800 soldados americanos morreram desde a invasão, em março de 2003. O secretário é responsabilizado também pelos maus resultados na campanha no Afeganistão, onde os militantes do grupo Taleban e da rede terrorista Al-Qaeda têm intensificado a violência nas últimas semanas. Já Cheney é alvo de fortes críticas da oposição por defender a atual política para o Iraque. O vice-presidente tem apenas um terço de aprovação da opinião pública americana. "Os dois têm feito um trabalho fantástico no governo", disse Bush, referindo-se a Rumsfeld e Cheney. As declarações foram dadas em uma entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira. Durante a rodada de perguntas, Bush disse ainda que as sanções contra Coréia do Norte devem ser mantidas mesmo após Pyongyang ter decidido voltar à mesa de negociações para discutir seu programa nuclear. O regime comunista colocou o mundo em alerta no início de outubro após realizar um teste com um bomba nuclear. Falando sobre vários temas caros à sua administração, o presidente destacou também que não vê a necessidade de uma mudança no número de soldados no Iraque em um futuro imediato. Segundo ele, os generais americanos no Iraque lhe garantiram "ter com o que sobreviver". Faltando seis dias para as eleições legislativas americanas, Bush se disse confiante de que o Partido Republicano, ao qual é filiado, manterá o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. "Eu compreendo que os especialistas acham que a corrida está terminada, mas não creio que ela esteja até que todos votem", disse. O presidente aproveitou para dar outra alfinetada no senador Democrata John Kerry, que na segunda-feira aconselhou jovens americanos a estudar para que no futuro não precisem virar soldados. Oponente de Bush na corrida presidencial de 2004, Kerry pediu desculpas pelas declarações, que classificou como uma piada mal feita. "Para mim não soou como piada", disse o presidente. "Mais importante: não soou como piada para os soldados", completou. Bush também expressou confiança no primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, cujas últimas declarações entraram em rota de colisão com as políticas defendidas pelos americanos. "Eu aprecio que ele tenha tomado decisões difíceis que ele acredita serem necessárias para manter o país unido", disse Bush. Ainda assim, o presidente admitiu que "não há dúvidas de que outubro foi um mês duro. Perdemos 103 soldados. Foi um mês duro porque estávamos na ofensiva e o inimigo estava na ofensiva. E foi um mês duro por causa do Ramadã. Nossos soldados e os iraquianos mataram ou capturaram mais de 1.500 pessoas durante esse período de tempo".

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