Bush diz que Síria deve parar de perturbar governo libanês

Durante coletiva na capital italiana, presidente fala de Kosovo e Oriente Médio

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou neste sábado, 9, que a Síria deve parar de interferir no governo do Líbano, do primeiro-ministro Fouad Siniora. "É muito importante que as influências estrangeiras, como a da Síria, não estejam continuamente perturbando o governo de Siniora", disse Bush durante coletiva com o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi.A Síria tem sido acusada do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri em 2005. Damasco nega qualquer envolvimento e a oposição libanesa pró-Síria se opõe a um tribunal para julgar os assassinos, que foi formado por uma votação da Organização das Nações Unidas (ONU). "Agora nós apenas temos de assegurar que o governo de Siniora sobreviva. Uma das melhores maneiras de fazer isso é insistir para que sigamos adiante com o julgamento de Hariri para assegurar que haja conseqüências por comportamentos que possam afetar a estabilidade de uma democracia".Ele acrescentou: "Eu não quero prejulgar o resultado do julgamento, mas eu realmente acho que é uma importante medida para que todos nós vejamos a verdade naquela parte do mundo", disse Bush.KosovoO presidente Bush disse neste sábado que "já é hora" de aprovar o plano da ONU que propõe uma independência supervisionada para o Kosovo, apesar da oposição da Rússia.Em sua primeira entrevista coletiva durante a viagem que faz pela Europa, Bush se queixou dos atrasos na aprovação do plano para a província e disse que comunicou ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que "já é hora" de resolver o futuro do Kosovo.Sobre o Kosovo, Bush pediu que o Conselho de Segurança aprove o plano elaborado pelo enviado especial da ONU, o ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, que propõe uma independência supervisada para a província sérvia de maioria albanesa."Tem que haver uma data limite", disse o governante, que amanhã será o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar a Albânia."Agora é hora de avançar com o plano Ahtisaari. Houve uma série de atrasos. Foi dito que era necessário mais tempo para trabalhar em uma resolução do Conselho de Segurança. Nossa opinião é que o tempo acabou", disse Bush.O presidente americano disse que comunicou pessoalmente a posição americana a Putin, que se opõe ao plano de Ahtisaari.A Rússia, tradicional aliada da Sérvia, ameaçou usar seu poder de veto para bloquear qualquer resolução que leve à independência do Kosovo.Bush afirmou que é preciso "garantir aos sérvios uma forma de avançar", o que poderia ser feito a partir de sua entrada na União Européia, segundo ele.Em nome dos EUA, "eu posso falar com os sérvios sobre desenvolvimento econômico e melhores relações" com Washington, disse Bush.O governante também se referiu à situação dos cristãos no Iraque, tema tratado no encontro com o papa Bento XVI. Na conversa com Bush, o pontífice se mostrou "preocupado" com a situação da minoria religiosa e com a possibilidade de "a nova sociedade iraquiana não tolerar a religião cristã", disse opresidente. O presidente americano classificou o encontro com o Papa, o primeiro desde que Bento XVI substituiu João Paulo II, como "uma experiência comovente".

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