Bush é aconselhado a ter diálogo com Brasil

Menos de duas semanas depois de ter telefonado ao presidente Fernando Henrique para visitar Washington antes da Terceira Cúpula das Américas, em abril, no Canadá, o presidente George W. Bush foi instado hoje a buscar uma "parceria estratégica" com o Brasil" por um influente grupo de acadêmicos e executivos americanos reunidos pelo Council of Foreign Relations, de Nova York."Acreditamos que o Brasil deve ser um ator crucial com os Estados Unidos na promoção da reforma econômica e do livre comércio, na sustentação da democracia e de mercados abertos e no combate aos narcóticos, ao terrorismo e ao crime transregional", afirmam os signatários. Junto com a carta, ele enviaram a Bush um memorando de 12 páginas com recomendações específicas. O documento foi preparado ao longo dos últimos 18 meses em discussões periódicas do grupo que incluíram o ex-secretário do Tesouro Robert Rubin, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia e o embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa."Um diálogo realista e continuado com o Brasil é central ao sucesso de qualquer política dos EUA no hemisfério (pois) o Brasil é o fulcro", afirma a carta. "Reconhecemos que isso nem sempre será fácil; qualquer nova iniciativa em relação ao Brasil passará pela administração de diferenças mútuas (e) não pode ser vista como uma relação que exclui outros vizinhos da América do Sul". O documento adverte Bush que "tampouco o Brasil reagirá favoravelmente se concluir que o objetivo dos EUA (numa nova relação) é cooptar o Brasil para (a busca) de objetivos exclusivos dos EUA".O documento pauta-se pelo mesmo realismo que recomenda a Bush, chamando atenção para os obstáculos que precisam ser superados para se chegar a um diálogo mais profundo entre os EUA e o Brasil. "Um deles é o ceticismo brasileiro em relação a esse tipo de iniciativa", afirmam seus autores. "A percepção no Brasil é que os EUA foram inconsistentes no passado em suas aproximações e nem sempre cumpriram sua promessa de uma maior engajamento e mais consultas".O memorando chama atenção também para o sentimento bastante difundido na elite política, administrativa e empresarial brasileira, bem como na própria opinião pública, segundo o qual o projeto de criação da Área de Livre Comécio das Américas, a ALCA, "será vantajoso apenas para os EUA". As suspeitas que um diálogo mais estreito entre Brasília e Washington podem despertar entre os vizinhos do Brasil é outro problema. Os elementos de competição que existem entre os dois países são também destacados.

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