Bush e Blair pedem ao mundo que enfrente Saddam

O presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, manifestaram neste sábado grande preocupação com a possibilidade de o Iraque produzir armas nucleares e reafirmaram que há evidências suficientes para agir contra o regime de Saddam Hussein."Nós devemos às futuras gerações a obrigação de lidar com esse problema", disse Bush, acompanhado de Laura Bush, após dar as boas-vindas a Blair. Antes de iniciarem um debate para estabelecer uma estratégia comum para um eventual ataque militar ao território iraquiano, Bush e Blair concederam breve entrevista à imprensa e citaram relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), de 1998, indicando que Saddam poderia desenvolver armas nucleares em seis meses."Não sei de que provas mais necessitamos", disse Bush. "Uma política de inação não é uma política responsável que possamos subscrever", emendou Blair, que disse ter conhecimento pleno do relatório da AIEA. Blair disse que os EUA e a Grã-Bretanha querem a ajuda da comunidade internacional para formar uma coalizão contra Saddam, mas indicou que Washington e Londres irão adiante sozinhos, se necessário.Bush disse que a política dos EUA é exigir a remoção de Saddam Hussein do poder. "Minha administração ainda defende a mudança do regime (iraquiano)", disse ele. "Há muitas maneiras de se chegar a uma mudança de regime". Segundo assessores de Blair, a idéia básica do encontro de Camp David é estudar a construção de uma coalizão internacional para um possível ataque militar ao território iraquiano.A reunião de Camp David acontece cinco dias antes de Bush falar às Nações Unidas, onde se acredita que ele pedirá à comunidade que adote uma ação rápida e enérgica com o objetivo de desarmar Saddam ou os EUA serão obrigados a atuar. Bush dirá à ONU que não há tempo a perder; um rascunho de seu discurso diz que o Iraque é "uma bomba de efeito retardado". Ele está estudando propor ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução que fixe prazos para que o Iraque abra suas instalações à inspeção internacional e contemple medidas punitivas se o presidente iraquiano se negar a fazê-lo.

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