Bush e líder do Casaquistão trocam elogios após encontro em Washington

O presidente dos EUA, George W. Bush, encheu de elogios, nesta sexta-feira, o presidente do Casaquistão - um país da Ásia central importante para os EUA como fornecedor de petróleo e aliado na guerra contra o terror, mas que tem um sistema político que reprime dissidências.As preocupações dos EUA sobre o governo mão-de-ferro do presidente Nursultan Nazarbayev não vieram à tona quando os dois líderes apareceram perante repórteres depois de uma reunião de duas horas no Salão Oval. Bush agradeceu Nazarbayev por apoiar os EUA na guerra do Iraque, por sua disposição em combater o terrorismo e para ajudar o vizinho Afeganistão a se tornar uma democracia estável. Também agradeceu por seu "compromisso com as instituições que disponibilizarão o florescimento da liberdade". O líder norte-americano ofereceu apoio ao desejo do Casaquistão em entrar na Organização Mundial de Comércio (OMC).A reunião coincidiu com o anúncio oficial de um acordo entre EUA e Casaquistão para diluir urânio altamente enriquecido no país asiático, para que a substância não mais seja adequada para armas nucleares.O decisão foi divulgada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e pela ONG Iniciativa de Ameaça Nuclear, a qual se opõe ao desenvolvimento de armas de destruição em massa.Parceiros próximosApós a reunião, a Casa Branca lançou um depoimento conjunto dos dois governos que enfatizava o comprometimento de ambos na elaboração, no Casaquistão, de uma "mídia independente, governos locais e eleições consideradas livres e justas perante os padrões internacionais".Após o encontro, Nazarbayev expressou gratidão pelo apoio dos EUA a respeito da independência de seu país da União Soviética, 15 anos atrás. "Na economia, na parceria energética, na política, na guerra contra o terror, nós realmente nos tornamos parceiros próximos", disse Nazarbayev através de um tradutor.A maior preocupação do presidente do Casaquistão parecia ser o tumulto no seu vizinho Afeganistão, onde o Taleban tem se reagrupado, o cultivo de drogas ilegais - como o ópio - tem crescido, e o governo democrático permanece frágil. "Ninguém na Ásia central se sentirá seguro e em paz se estivermos cercados de países povoados com terroristas e por países onde algumas pessoas desejam colocar as mãos nas armas nucleares que o Casaquistão renunciou voluntariamente no passado", disse Nazarbayev. Essa renúncia refere-se às armas nucleares as quais Nazarbayev decidiu desabilitar do arsenal que recebeu da União Soviética.DesarmamentoNazarbayev desafiou os EUA e outras potências nucleares a seguirem seu exemplo e tornarem o mundo um lugar livre de aparatos nucleares. Espera-se que o Casaquistão - uma enorme extensão territorial ao norte do Afeganistão e do Irã que é quase do tamanho da Europa Ocidental - extraia 3,5 milhões de barris de petróleo por dia na próxima década. Também é um país muito amigável aos EUA em uma parte do mundo em que o sentimento pró-americano não é muito difundido. Nazarbayev tem sido o único líder do país desde que alcançou sua independência em dezembro de 1991. Ele trouxe prosperidade e estabilidade ao Casaquistão. Assim como a maioria dos países da Ásia Central, entretanto, este também é conhecido por seus pobre laços com a democracia e com os direitos humanos. O presidente foi reeleito com 91% dos votos em dezembro em um pleito condenado por observadores internacionais como fraudado. As votações parlamentares de 2004 produziram uma legislação sem um único legislador da oposição.

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