Bush e Putin se aproximam, mas sem acordo sobre antimísseis

Sistema interceptor de mísseis é ponto de atrito entre os dois países

EFE,

07 de setembro de 2007 | 12h45

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e seu colega russo, Vladimir Putin, conversaram nesta sexta-feira, 7, e disseram ter aproximado posições sobre o escudo antimísseis dos EUA na Europa, apesar de não anunciarem nenhum acordo. O sistema anti-balístico de defesa é um dos principais pontos de atrito entre os dois países.   Os EUA estudam a possibilidade de instalar um interceptor de mísseis no norte da Polônia, além de radares na República Tcheca para neutralizar um potencial ataque do Irã. A Rússia nega que esse seja o motivo principal e afirma que a iniciativa visa inutilizar o arsenal nuclear do país. Durante sua visita aos EUA em julho, Putin propôs incorporar um novo radar, atualmente em construção no sul da Rússia.   A Rússia também diz estar pronta para atualizar seu sistema de detecção de mísseis em Qabala (Azerbaijão). Com isso, passaria imediatamente a informação recolhida por seus sensores no Azerbaijão aos EUA e, presumivelmente, à Europa. De acordo com a Rússia, essas instalações tornariam desnecessária, a construção de um radar na República Tcheca.   O presidente russo reiterou o convite aos EUA para que enviem uma delegação ao Azerbaijão, disse em entrevista coletiva Jim Jeffrey, assessor da Casa Branca para assuntos de economia internacional. Segundo Jeffrey, o governo americano tinha aceitado o convite e um grupo de cientistas do país poderia viajar para Qabala ainda este mês.   Sobre a questão da segurança, os dois líderes também trataram das ambições nucleares iranianas. "A Rússia planeja e está pronta para continuar trabalhando com nossos parceiros e colegas na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e nas Nações Unidas", disse Putin.   O presidente russo mostrou esperança em alcançar uma solução para o impasse. Segundo ele, um acordo beneficiaria tanto a comunidade internacional quanto o povo iraniano. Os EUA, por sua vez, marcaram posição contra o uso de energia nuclear no Irã, mesmo para projetos civis, segundo Jeffrey.   Temas 'espinhosos'     No âmbito econômico, os dois dirigentes falaram sobre o desejo da Rússia de ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma iniciativa que Washington disse apoiar plenamente.   Horas antes do início da reunião, Bush pediu a Moscou que respeitasse o processo democrático. "Incentivamos os líderes russos a respeitarem as normas fundamentais da democracia", disse Bush, sem se aprofundar mais no comentário, em um discurso diante de líderes empresariais que participam do fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). O presidente americano afirmou que está disposto a continuar trabalhando com Moscou "para promover interesses comuns no mundo".   A reunião com Putin aconteceu pouco depois de um embaraçoso incidente diplomático entre Bush e o presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun. A tensão chegou quando Roh pediu a Bush para que se comprometa a dar a Guerra da Coréia (1950-53) por oficialmente encerrada.   Bush disse que o conflito que tecnicamente continua hoje em dia - já que nenhum acordo permanente de paz foi assinado - terminará quando o norte-coreano Kim Jong-il puser fim a seu programa nuclear. Roh pediu ao presidente americano que fosse "um pouco mais específico", e Bush respondeu: "Não posso ser mais claro, senhor presidente. Esperamos o dia em que poderemos pôr fim à Guerra da Coréia. Isso acontecerá quando Kim Jong-il comprovadamente desmantelar seus projetos armamentistas".

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