Bush e republicanos rebeldes chegam a acordo sobre tribunais militares

O presidente George W. Bush chegou a um acordo com os senadores rebeldes do Partido Republicano a respeito de uma polêmica legislação sobre o tratamento de prisioneiros suspeitos de terrorismo. Segundo Bush, esse acordo irá permitir a reativação dos tribunais militares, suspensos desde junho pela Suprema Corte americana.Correspondentes da BBC acreditam que esse acordo ocorreu em parte porque uma divisão no partido poderia prejudicar seu desempenho nas eleições de novembro. Conforme Bush, o acordo vai preservar um programa que irá "ajudar a derrotar a rede de terror, para salvar vidas americanas"."Essa medida também cria comissões militares que irão trazer esses assassinos cruéis à Justiça", afirmou Bush, dizendo esperar que o Congresso encaminhe a legislação antes de concluir seus trabalhos, na próxima semana. De acordo com o correspondente da BBC em Washington, James Westhead, concessões foram feitas de ambos os lados. A Casa Branca afirma que os programas de interrogatórios da CIA, a agência de inteligência americana, irão continuar. No entanto, deverá haver regras mais claras de acordo com a Convenção de Genebra, como a proibição de atentados contra a dignidade, por exemplo. A polêmica no Partido Republicano começou na semana passada, quando um comitê do Senado americano deu apoio a uma legislação mais branda, que garantia maior proteção aos estrangeiros suspeitos de terrorismo. Quatro senadores republicanos se juntaram a democratas do Comitê das Forças Armadas para apoiar essa legislação, contrariando a proposta do presidente Bush.Os senadores rebeldes exigiram um dispositivo garantindo que a tortura de prisioneiros fosse proibida. De acordo com eles, a proposta de Bush iria redefinir a Convenção de Genebra, ao permitir tratamento violento dos detentos na prisão de alta segurança americana de Guantánamo, em Cuba. Cerca de 460 suspeitos de terrorismo estão detidos na prisão de Guantánamo, que é alvo de críticas internacionais.O ex-secretário de Estado americano, Colin Powell, apoiou os senadores republicanos que se opuseram à proposta de Bush, dizendo que a comunidade internacional estava começando a duvidar da "base moral da guerra ao terror" dos Estados Unidos.

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