Bush e Sharon abordarão Oriente Médio e Iraque

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, receberá amanhã na Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, com quem analisará a crise no Oriente Médio e também os planos de Washington para atacar o Iraque. Sharon, que chegou nesta terça-feira à capital americana para uma visita de três dias, está preocupado com as possíveis repercussões em seu país de uma intervenção militar americana contra o Iraque. Em particular, o premier israelense teme a possibilidade de que o presidente Saddam Hussein responda ao ataque dos EUA lançando mísseis contra o Estado judeu. Bush, por sua vez, recebe Sharon em um momento delicado, devido às repercussões negativas a seus planos bélicos e suas tentativas de obter consenso entre os países árabes, que condenam os ataques israelenses em Gaza e as duras condições humanitárias às quais são submetidos os palestinos nas zonas da Cisjordânia reocupadas por Israel. Os governantes, segundo fontes do governo americano, discutirão as estratégias para neutralizar a ameaça de um eventual ataque iraquiano contra Israel. Segundo fontes extra-oficiais, Bush e outros expoentes do governo apresentarão a Sharon um plano detalhado com esse propósito. Há dez anos, Bush pai, então presidente dos Estados Unidos, e seu secretário de Estado James Baker conseguiram deter uma reação militar do então premier Yitzhak Rabin Shamir diante dos 39 mísseis Scud lançados por Saddam contra Israel. Sharon, no entanto, não parece disposto a renunciar a uma resposta a um eventual ataque iraquiano, em especial se os mísseis de Saddam caírem sobre centros povoados. O pedido de moderação de Bush a Sharon não se refere apenas à hipótese de uma guerra contra o Iraque, mas também às ações contra os palestinos. O governo dos Estados Unidos não quer, segundo a imprensa americana, que as ações israelenses irritem o mundo árabe em um momento tão delicado de planejamento da guerra contra o Iraque. Assessores do governo confirmaram, no entanto, a notícia publicada pela imprensa israelense de uma carta enviada na semana passada por Bush a Sharon. Na carta, escrita de próprio punho, segundo fontes israelenses, o presidente americano lamentou, com um tom definido como "duro", pelo fato de Israel não ter cumprido com a promessa de suavizar a opressão contra os povoados palestinos e de entregar à Autoridade Palestina os impostos coletados pelo Estado judeu dos palestinos. A visita de Sharon havia sido programada inicialmente para ocorrer há dez dias, quando o governo dos EUA criticou o cerco israelense aos escritórios do presidente Yasser Arafat em Ramallah, Cisjordânia. Do ponto de vista de Washington, o processo de reforma das instituições palestinas estava sendo bem conduzido até o cerco autorizado por Sharon. Em sua sétima visita a Washington desde que em março de 2001 foi eleito chefe de governo, além de se reunir com Bush, Sharon manterá encontros com o vice-presidente Dick Cheney, o secretário de Estado Colin Powell; o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld; a conselheira para a Segurança Nacional, Condoleeza Rice, e líderes legislativos.

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