Bush e Sharon emitem notas diferentes sobre futuro de Arafat

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, e o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon,discordam sobre qual papel o líder palestino Yasser Arafat devedesempenhar na retomada do processo de paz do Oriente Médio, masSharon insiste que não existe discordância entre os EUA e oEstado judeu. Conversando com jornalistas após se reunir na noite dequinta-feira pela quarta vez em um ano com Bush, Sharon disseacreditar que se Arafat for diplomaticamente isolado, seráencorajada a emergência de uma liderança alternativa, maispragmática, entre os palestinos. "Quanto mais Arafat for empurrado para a irrelevância, maisrápido aparecerá uma nova liderança", disse Sharon. Mas na noite de ontem, na Casa Branca, Bush deu uma novachance a Arafat para conter ataques palestinos contraisraelenses e acenou com a perspectiva de generosa ajudafinanceira para aliviar o sofrimento do povo palestino. "O senhor Arafat ouviu minha mensagem", afirmou Bush arepórteres após a reunião com Sharon. "Não posso ser mais clarosobre isso. Ele tem de fazer tudo em seu poder para reduzirataques terroristas contra Israel." O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, tambémem visita a Washington, disse ao jornal Yediot Ahronot, deIsrael, ter ficado surpreso com a dura posição assumida poraltos integrantes da administração Bush, entre eles ovice-presidente Dick Cheney, contra Arafat. "Na questão, Cheney foi mais extremista do que RehavamZeevi", disse Ben-Eliezer, referindo-se ao ultranacionalistaministro do Turismo israelense assassinado no ano passado. "Ovice-presidente me disse: Por mim, vocês podem enforcá-lo(Arafat)." Hoje, o ministro da Defesa divulgou um comunicado dizendonunca ter atribuído a declaração a Cheney. "Também quero deixarclaro que nenhuma autoridade da Casa Branca me disse que é perdade tempo negociar com Arafat", acrescentou Ben-Eliezer. Ele tinha dito na quinta-feira a repórteres israelenses queCheney e Condoleezza Rice, assessora de segurança nacional deBush, tinham afirmado a ele que não fazia sentido conversar comArafat. Hoje, uma autoridade da administração norte-americana, quepediu para não ser identificada, garantiu que eles "não falaramnada privadamente que o presidente não disse em público". E o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que adeclaração sobre Arafat atribuída a Cheney "é uma fantasia". Omesmo se aplicaria a suposto comentário de Rice de que não fazsentido conversar com Arafat. Sharon, que rompeu laços com Arafat e gostaria que Washingtonfizesse o mesmo, considerou o líder palestino "um obstáculo àpaz", mas disse que não pediu a Bush para suspender contatoscom o líder palestino. "Não entramos nessa questão", disse ele a jornalistas que oacompanham em sua visita de três dias aos EUA. Não houve "sinalde discordância", garantiu. Em entrevistas publicadas hoje em jornais isralenses, Arafatdisse não guardar rancor de Sharon. "Gostaria de enviar a eleuma mensagem de coração: Por favor, Sharon, sentemos à mesa",afirmou Arafat ao diário Maariv. O ministro palestino Saeb Erekat, reagindo aos comentários deSharon, afirmou: "O presidente Arafat é um presidente eleitopelo povo palestino... A insistência de Sharon em dizer taisfrases reflete a verdadeira intenção deste governo israelense decontinuar com a escalada e agressão contra o povo palestino." Hoje, Sharon viajou para Nova York, onde iria se reunir comlíder judeus-americanos antes de retornar sábado para Israel.

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