Bush elogia "paciência" de Ariel Sharon

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse nesta terça-feira ao presidente George W. Bush que "Israel não irá negociar sob fogo nem sob terror" enquanto tenta manter uma frágil trégua com os palestinos. Bush recebeu Sharon no Salão Oval, expressando esperanças de que o cessar-fogo será mantido e que Israel dará o próximo passo no sentido da retomada das negociações de paz. Sharon, entretanto, manteve sua exigência do fim das "hostilidades, terrorismo e incitamento", ao mesmo tempo em que disse aceitar as sugestões de uma comissão internacional encabeçada pelo ex-senador americano George Mitchell: começar com um cessar-fogo e um período de "esfriamento", que criaria confiança entre as partes, antes da retomada das negociações. "A paz deveria oferecer segurança aos cidadãos israelenses", disse Sharon. "Israel não irá negociar sob fogo nem sob terrorismo". Bush elogiou Sharon por demonstrar "muita paciência em meio a baixas", e criticou o pessimismo sobre a violência na região. "Eu sei que existe um nível de frustração, mas há progressos sendo feito", afirmou Bush.Destacando que o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, seguiria nesta terça-feira para a região, ele disse: "Estou ansioso por discutir com o primeiro-ministro o que é realista e o que é possível". Sharon voou de Nova York para Washington. Na segunda-feira, ele exigiu o fim da violência por parte dos palestinos antes de prosseguir com um plano apoiado pelos EUA para a retomada das negociações de paz.Durante um encontro com líderes judeus, ele adiantou que iria dizer a Bush: "Não podemos mudá-la, e você sabe que não iremos mudá-la", referindo-se à exigência do fim de toda a violência. No Egito, o presidente Hosni Mubarak advertiu que "um teatro mundial de terrorismo" irá se desenrolar caso a administração Bush não traga a paz para o Oriente Médio. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que Bush iria advertir aos dois lados para não "usarem de ações e retóricas" que inflamem tensões. Além disso, afirmou, "o papel dos Estados Unidos, repito, será o de um facilitador". Entre as medidas de criação de confiança contempladas no relatório Mitchell está a do congelamento de construções nos assentamentos judeus na Cisjordânia e Faixa de Gaza.Sharon se opõe à suspensão das construções, apesar de dizer aceitar a proposta de Mitchell. Alguns analistas acreditam que ele tentará criar todos os impedimentos possíveis nas fases iniciais a fim de postergar uma confrontação na fase dos assentamentos. A visita de Sharon à Casa Branca é a segunda em três meses, enquanto o líder palestino Yasser Arafat ainda não recebeu um convite - o que é visto como um apoio dos EUA às posições israelenses no geral.

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