Bush enfrenta dificuldades nos fronts interno e externo

O discurso que George W. Bush preparoupara hoje na ONU é parte de uma estratégia montada parareforçar a coalizão internacional contra o terrorismo, quesurgiu quase que espontaneamente, no primeiro momento de realdificuldade da guerra de múltiplas frentes que os EUAdesencadearam em resposta aos ataques contra o World TradeCenter e o Pentágono, que completam dois meses amanhã.Sem progressos definitivos a exibir na ofensiva contra oTaleban e a Al-Qaeda no Afeganistão, depois de mais de 30 diasde bombardeios contra as posições dessas organizações, Bushenfrenta hoje a crescente impaciência e desconforto dos aliadosdos EUA nos países árabes e islâmicos com a continuação dessaações. Há forte tensão entre a administração e a família realsaudita. O presidente Hosni Mubarak, do Egito, não se pronunciahá semanas. E o Líbano acaba de rejeitar o pedido americano paracongelar as contas do Hezbollah.É um sentimento que apenas aumentará diante da decisão deWashington de ignorar o pedido de suspensão dos bombardeiosdurante o Ramadã, feito pelo presidente do Paquistão, PervezMusharraf. Não ajuda, também, o fato de Bush ter descartado ahipótese de encontrar-se com o presidente da AutoridadePalestina, Yasser Arafat, durante sua visita à ONU.Consolidar o apoio externo não é, contudo, receita garantidade sucesso na frente doméstica da guerra ao terrorismo, que étão complexa quanto as várias batalhas que os EUA travam hoje noexterior, seja para "tirar Osama bin Laden de sua toca", comojá disse Bush, seja para cortar as fontes de financiamento doterrorismo ou prevenir novos ataques contra alvos americanos, noexterior ou em casa. Na sexta-feira, os dois projetos de leidiretamente relacionados ao esforço de guerra - um de estímulo àeconomia e outro para melhorar a segurança nos aeroportosamericanos - estavam empacados no Congresso, e sem destino certoem meio a uma intensa luta partidária.Os problemas de Bush na frente legislativa da guerra começamem seu próprio partido. Sua recente afirmação sobre a disposiçãode Washington de reconhecer um dia um Estado palestino ao fim deum processo de paz não agregou nenhuma novidade, a não ser pelofato de Bush ter reiterado a política que os EUA adotaram naadministração Clinton. Ela foi feita para ganhar simpatias paraos EUA entre os árabes e muculmanos. Mas foi suficiente paracriar desconfianças e má vontade entre republicanos pró-Israelno Congresso, especialmente depois que Bush pressionoupublicamente Israel a retirar as tropas que mandou para setecidades da Cisjordânia que já estão sob administração palestina,em reação ao assassinato de um membro do gabinete israelense.A visita do líder russo, Vladimir Putin, aos EUA esta semana éum evento crucial da estratégia do reforço da coalizãointernacional contra o terrorismo. Putin emergiu dos ataques de11 de setembro como um sólido aliado de Bush. Mas os encontrosque terá com ele em Washington e no Texas causam grandeansiedade na linha dura republicana no Capitólio. O temor é queBush faça demasiadas concessões a Putin na política de defesa,sobretudo na questão do escudo antimísseis, que é uma prioridaderepublicana, para manter o apoio de seu colega russo na lutacontra o terrorismo.

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