Bush entra na campanha; nem todos os republicanos o querem

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, não esconde sua disposição em participar dacampanha eleitoral deste ano para o Congresso e a Casa Branca-- a questão é convencer os republicanos a quererem. O candidato do partido à Presidência, John McCain, dizquerer a ajuda de Bush, inclusive com as doações que issoacarreta. Mas o senador toma cuidado em não se associar demaisao impopular presidente, especialmente na questão climática. Na terça e na quarta-feira, Bush participa de três eventosde arrecadação de doações para McCain, no Arizona e no Utah.Mas o presidente e o candidato só devem aparecer juntos em umevento, e mesmo assim longe da vista do público. Por isso, háquem pergunte se Bush ajuda ou atrapalha. "Por um lado, [os republicanos] querem manter distância dopresidente, a fim de evitar que sejam vistos como um terceiromandato de Bush, mas ao mesmo tempo precisam aproveitar acapacidade arrecadadora do presidente", disse Anthony Corrado,professor do Colby College, do Maine. Pesquisa Reuters/Zogby na semana passada apontou uma quedade mais 4 pontos percentuais na popularidade de Bush, que agoraestá em apenas 23 por cento. A popularidade do Congresso estáainda pior -- caiu 5 pontos e agora está em 11. Cumprindo a tradição de antecessores, Bush marcou eventosalheios à campanha durante a sua viagem de três dias por cincoEstados, o que dilui os enormes custos da comitivapresidencial, que devem ser bancados pelos candidatos. Mesmo já estando virtualmente garantido como candidatorepublicano, McCain está financeiramente bem atrás de seusrivais democratas, que ainda lutam pela indicação. O senadorrepublicano angariou 18,5 milhões de dólares em abril, bemabaixo dos rivais Hillary Clinton (21 milhões) e Barack Obama(30,7 milhões). Para Corrado, o cacife político de Bush seria mais bemaproveitado no sul e no oeste dos EUA, embora as atenções aindaestejam voltadas para a disputa democrata. A Casa Branca disse que Bush e McCain devem posar juntospara fotos na terça-feira, algo que segundo Corrado pode serusado pelos adversários. Além disso, os republicanos falam abertamente nadificuldade que devem enfrentar para manter a Casa Branca erecuperar a maioria no Congresso. Um dos principais fatorespara isso é o fato de a guerra do Iraque ter durado bem maisque o previsto. Outra razão importante é a desaceleraçãoeconômica, acompanha de alta nos preços de alimentos ecombustíveis. Nos últimos meses, os republicanos perderam para osdemocratas três eleições suplementares para vagas parlamentaresem distritos habitualmente favoráveis ao partido conservador.

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