Bush falará na ONU, depois de Celso Lafer

O esperado discurso do presidente dos EUA, George W. Bush, na Assembléia Geral da ONU, nesta quinta-feira, deverá ser no final da manhã. Bush será o segundo a falar, logo depois do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer. De acordo com o gabinete de Lafer em Brasília, a sessão da Assembléia Geral deverá começar às 9h locais (10h em Brasília), com um curto pronunciamento do secretário-geral, Kofi Annan. A sessão será suspensa para um almoço, marcado para as 13h15 locais (14h15 em Brasília). O Brasil sempre é o primeiro a pronunciar-se na Assembléia Geral porque, na ordem alfabética, era o primeiro dos aliados que venceram a II Guerra Mundial e fundaram a ONU.DossiêA administração Bush divulgou hoje um dossiê destacando os esforços do Iraque para desenvolver armas de destruição de massa e de apoio ao terrorismo internacional. O relatório contém informações que o presidente George W. Bush utilizará em seu discurso na Assembléia Geral. O relatório não comprova qualquer ligação entre o líder iraquiano Saddam Hussein com a rede terrorista al-Qaeda de Osama bin Laden. O dossiê diz que o Iraque violou 16 resoluções das Nações Unidas desde 1990, destaca a repressão de Saddam Hussein ao povo iraquiano, a recusa do país em divulgar o número dos prisioneiros na Guerra do Golfo Pérsico e em devolver as propriedades roubadas do Kuwait, além das tentativas para evitar as sanções das Nações Unidas. Alerta à ONUO presidente norte-americano deve questionar as Nações Unidas para que exijam o cumprimento das resoluções aprovadas desde 1991 em relação ao Iraque, as quais prevêem que o país "aceite sem ressalvas" a destruição de suas armas químicas e biológicas e de instalações nucleares, informou o jornal New York Times, citando fontes da administração. Bush alertará as Nações Unidas que se falharem, os EUA entrarão para forçar o Iraque a cumprir as resoluções. Já o secretário-geral, Kofi Annan, deverá realizar discurso bastante diferente, argumentando que os EUA devem agir por meio das Nações Unidas para confrontar o Iraque. Ontem à noite, o escritório de Annan decidiu divulgar o discurso para deixar claro sua visão de que "não há nada que substitua a legitimidade única oferecida pelas Nações Unidas". ?As Nações Unidas estão numa encruzilhada?Um funcionário do primeiro escalão da administração Bush disse que o presidente "não imporá uma data limite", tampouco irá propor um modelo específico de ação. Mas deve destacar que "não deseja esperar muito para que Saddam destrua suas armas". "A mensagem é muito simples", disse o funcionário. "As Nações Unidas estão numa encruzilhada. Temos muitas resoluções em relação ao Iraque. Agora temos a chance de escolher se as Nações Unidas existem para aprovar resoluções ou fazê-las valer", acrescentou.

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