Bush fecha acordo para usar força contra Saddam

O presidente George W. Bush fechou acordo com os líderes de seu partido, o Republicano, e da oposição democrata na Câmara dos Representantes para a aprovação de resolução autorizando-o a usar a força para garantir a segurança dos EUA.O compromisso foi firmado depois de uma reunião de Bush com os representantes dos dois partidos, mas não se espera a votação no Congresso antes da semana que vem. "Nós não negociamos (com o presidente) o texto da resolução, e isso terá de ser discutido amplamente nos próximos dias", frisou o líder da oposição democrata no Senado, Tom Daschle.O partido Democrata tem maioria no Senado, e o Republicano, na Câmara.O texto estipula que Bush deve buscar uma ação rápida e decisiva do Conselho de Segurança da ONU para assegurar que o Iraque abandone sua estratégia de "retardar, esquivar-se e não respeitar (as determinações da organização) e cumpra rápida e estritamente todas as resoluções do Conselho de Segurança que lhe concernem".Caberá a Bush informar o Congresso antes, na medida do possível, ou no máximo nas 48 horas seguintes, sua decisão de recorrer à força, os motivos de sua decisão e, principalmente, explicar por quê a diplomacia ou outros meios pacíficos não foram suficientes.Daschle observou que vários aspectos do compromisso desta quarta foram acertados por senadores, entre os quais o republicano Richard Lugar e o democrata Joseph Biden. Na terça-feira, Biden e Lugar enviaram a Bush uma proposta com ênfase em uma estratégia multilateral para o Iraque, tendo como último recurso o uso da força.Bush reagiu dizendo não aceitar uma resolução que "ataria" suas mãos.Bush indicou que uma guerra contra o Iraque será inevitável se Saddam não se desarmar. "O cumprimento integral das resoluções do Conselho de Segurança da ONU é a única escolha, e o tempo que resta para essa escolha é limitado", afirmou.Os EUA estão tentado obter o apoio do CS para uma nova resolução, ampliando os poderes dos inspetores de armas da ONU e ameaçando o país com o uso da força, caso não cumpra as exigências quanto à eliminação de armas químicas, biológicas e nucleares.O objetivo dos americanos é aprová-la rapidamente porque o Iraque se comprometeu, nesta terça-feira, a cumprir as resoluções existentes e propôs a retomada das inspeções em meados deste mês. A Casa Branca quer bloquear essa iniciativa iraquiana, pois as resoluções anteriores limitam a ação dos inspetores nos complexos presidenciais.De acordo com o diário britânico The Guardian, diplomatas da Grã-Bretanha ajudaram os EUA a elaborar a proposta de uma nova resolução do CS para o Iraque, quando ela estava no seu estágio inicial, no Departamento de Estado. Depois, o texto passou para a Casa Branca e o Pentágono, onde foi alterado pela ala linha-dura do governo e assumiu seu atual aspecto duro.O secretário americano de Estado, Colin Powell - um dos moderados da administração Bush -, indicara várias vezes sua disposição para um compromisso com os demais membros do CS e se mostrou interessado na proposta da França de aprovação de duas resoluções, em etapas: a primeira, com as exigências ao Iraque, e a segunda, se necessária, ameaçando com o uso da força.O esboço que os EUA e a Grã-Bretanha tentam convencer os demais membros permanentes do CS a aprovar (Rússia, China, França) dá um ultimado de 7 dias para o Iraque aceitar suas obrigaçoes e 30 dias para que o país forneça uma declaração completa e atualizada sobre suas armas de destruição em massa e os locais de armazenamento e produção.Os inspetores deverão ter aceso a todas as instalações do país, incluindo os oito complexos presidenciais, com mais de 70 palácios e centenas de prédios. O texto estabelece que a ONU ou um país-membro poderá recorrer a "todos os meios necessários, incluindo a ação militar", se o governo iraquiano não cooperar.Essa autorização ao uso da força é um dos pontos questionados por Rússia, China e França, pois daria aos EUA o poder de intervir quando julgar que Bagdá não está cooperando. Pela proposta francesa, a ação militar teria de ser aprovada pelo CS.Depois de jantar no Palácio do Eliseu com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, o presidente francês, Jacques Chirac, afirmou nesta quarta que os "enfoques francês e alemão" sobre a questão iraquiana coincidem e afirmou que os dois países se opõem a um recurso automático à força.

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