Bush ignora 'eixo do mal' e envia carta para Kim Jong-il

Presidente americano pede que Pyongyang mantenha compromisso com desarmamento nuclear

Efe, REUTERS

06 de dezembro de 2007 | 11h38

Em uma manobra inédita, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, enviou uma carta ao líder norte-coreano Kim Jong-il para pedir que o regime comunista mantenha o compromisso com o desmantelamento de seu programa nuclear, informou a Casa Branca nesta quinta-feira, 6.  Esta é a aproximação mais direta dos EUA com Pyongyang desde que o presidente classificou o país como parte do "eixo do mal". Segundo a agência estatal de notícias KCNA, o secretário-assistente de Estado norte-americano Christopher Hill, que está em visita à Coréia do Norte, entregou a carta na quarta-feira ao chanceler norte-coreano, Paik Ui Chun. A existência da carta é notável, diante da antiga hostilidade entre os dois países, que tecnicamente estão em guerra. "O presidente (Bush) reiterou o compromisso dos EUA com as conversas multilaterais e afirmou a necessidade de que a Coréia do Norte apresente uma declaração completa de seus programas nucleares, segundo o estipulado no acordo de setembro de 2005", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe.  Segundo fontes americanas ouvidas pela Associated Press, a carta tenta deixar claro que os Estados Unidos não aceitarão que o regime norte-coreano deixe de cumprir todos os compromissos firmados com a administração. Uma das principais demandas de Bush é que Pyongyang revele toda a extensão de seu programa nuclear, informando o uso e o possível fornecimento de material e tecnologia a outros países.  Eixo do mal Nos primeiros anos do governo Bush, os EUA adotaram posturas extremamente rígidas contra Pyongyang, especialmente a respeito de seu programa de armas nucleares. Em 2002, Bush incluiu a Coréia do Norte na lista de inimigos que ele batizou de "eixo do mal", junto com o Irã e o Iraque pré-guerra.  Naquele mesmo ano, segundo a revista Newsweek, Bush surpreendeu uma reunião de senadores republicanos ao lançar um duro ataque pessoal contra Kim.  "Ele está matando seu povo de fome, e aprisionando intelectuais num gulag (presídio soviético) do tamanho de Houston", teria dito Bush, acrescentando que o líder comunista norte-coreano era um "pigmeu" que agia como "uma criança mimada à mesa do jantar".  Em 2003, porém, Washington começou a usar a diplomacia nos esforços para persuadir Kim a abandonar suas ambições nucleares. Naquele ano, começou na China um longo processo de negociação, que incluía também EUA, Japão, Rússia e as duas Coréias.  Em fevereiro de 2007, após anos de impasse, as negociações de seis partes começaram a dar frutos. À época, Pyongyang aceitou abandonar o programa de armas nucleares em troca de ajuda econômica e de maior reconhecimento diplomático. Desde então, as relações entre Coréia do Norte e EUA vivem uma notável melhoria.  Em 1950, tropas dos EUA ocuparam a península da Coréia para impedir a invasão do Norte comunista no Sul capitalista. A guerra durou três anos, mas nunca houve um tratado que a encerrasse formalmente. Até hoje há forças norte-americanas estacionadas na Coréia do Sul.

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