Bush indica Hayden como novo diretor da CIA

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, designou nesta segunda-feira o general da Força Aérea Michael Hayden como novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), substituindo Porter Goss, que apresentou sua renúncia na sexta-feira.Hayden é "altamente qualificado para este posto", disse Bush junto a ele e ao chefe da inteligência dos EUA, John Negroponte.Na opinião do presidente, que tenta minimizar as críticas que já surgem contra Hayden, o general é "o homem certo para comandar a CIA neste momento crítico da história de nossa nação". Também destacou que o general da Força Aérea tem mais de 20 anos de experiência em questões de inteligência.A nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado, que fará uma série de audiências. Republicanos e democratas consideram que Hayden não é a pessoa adequada para o cargo.Durante o anúncio, o general garantiu que "não há posto mais importante que a direção da CIA para preservar nossa segurança e nossos valores neste momento"."Trabalharemos com o Congresso para que os serviços de inteligência (dos EUA) sigam em frente", disse Hayden. Ele agradeceu a sua esposa e a seus filhos pelo apoio que lhe deram sempre em sua carreira.O general Hayden, que atualmente é o "número dois" do diretor nacional de Inteligência, Negroponte, é um militar condecorado com quase quatro décadas de serviço ativo. Seu histórico é tão brilhante quanto polêmico, especialmente em seus seis anos (1999-2005) como chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).Em sua trajetória, se destacam os cargos de diretor de inteligência do comando central dos EUA na Europa, de comandante da Agência Aérea de Inteligência no Texas, e seus anos no comando americano na Coréia do Sul.Como diretor da NSA, Hayden supervisionou diretamente o "Programa de Vigilância Terrorista", que autorizou a espionagem em telefonemas internacionais, e-mails e faxes de residentes nos EUA suspeitos de terrorismo.Quando estas atividades foram denunciadas no ano passado, aumentaram as críticas tanto ao programa como a seu conteúdo.Grupos de defesa dos direitos humanos, a oposição democrata e alguns republicanos consideram o programa ilegal e afirmam que viola o direito à privacidade dos cidadãos. As ações foram reforçadas após os atentados de setembro de 2001 nos EUA.Seus críticos lembram que uma legislação de 1978 proíbe as escutas em território americano a menos que tenham permissão de um tribunal especial.No entanto, Hayden foi o principal defensor dos grampos e repetiu, várias vezes, que o programa é legal e constitucional.

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