Bush inicia viagem à África pedindo acordo no Quênia

Presidente dos EUA diz que enviará Rice ao país para passar mensagem 'clara' de paz e divisão de poder

TABASSUM ZAKARIA E SAMUEL ELIJAH, REUTERS

16 de fevereiro de 2008 | 11h12

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, iniciou neste sábado, 15,  uma visita à África pedindo um acordo de divisão do poder no Quênia para pôr fim ao conflito pós-eleitoral que já matou mil pessoas. Bush, cuja visita a cinco países não inclui o Quênia, enviará segunda-feira a secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, a Nairóbi para apoiar ao ex-chefe da ONU Kofi Annan na mediação das negociações entre o presidente queniano, Mwai Kibaki, e seus opositores. "O Quênia é um problema ... é por isso que vou enviar a secretária Rice para ajudar a iniciativa de Kofi Annan", Bush disse aos repórteres na chegada ao Benin, primeira parada da viagem de seis dias, a segunda dele ao continente mais pobre do mundo. A missão de Rice tem a "total intenção de passar uma mensagem clara de que não haja violência e de que é preciso um acordo de divisão do poder", disse Bush após encontro com o presidente do Benin, Thomas Boni Yayi, num breve intervalo no aeroporto de Cotonou. Em seguida ele partiu para a Tanzânia, próxima parada da viagem que inclui ainda Ruanda, Gana e Libéria. O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan tenta pôr um fim ao conflito iniciado após a controversa eleição de 27 de dezembro, que já desalojou 300 mil pessoas e levou a maior economia do leste africano a enfrentar sua pior turbulência desde a independência, em 1963. Bush, que viaja acompanhado da mulher Laura, evitou os pontos de conflito na África e visita cinco países escolhidos cuidadosamente na intenção de mostrar uma face diferente do continente tomado pela pobreza e abalado por guerras. Os presidentes de Benin, Tanzânia, Ruanda, Gana e Libéria são vistos por Washington como a nova geração de líderes africanos democratas, e os Estados Unidos os apóiam com ajuda nas áreas de saúde e educação, além de iniciativas de cooperação militar. Mas as crises no Quênia e em Darfur, no Sudão, ainda pairam sobre a visita de Bush. Falando em Cotonou, ele reiterou o apoio dos EUA às forças de paz da União Africana e das Nações Unidas enviadas à região de Darfur, no oeste do Sudão, onde conflitos políticos e étnicos já mataram cerca de 200 mil pessoas desde 2003.

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