Bush mentiu sobre armas biológicas no Iraque

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assegurou publicamente que dois caminhões capturados no Iraque eram "laboratórios biológicos" móveis mesmo sabendo que os serviços de espionagem americanos haviam demonstrado que tal informação não era verdadeira. Um relatório elaborado por uma missão secreta de analistas e técnicos, enviada ao Iraque pelo Pentágono, afirma que os veículos que tinham sido capturados por tropas dos EUA não tinham nada a ver com armas biológicas, segundo informou nesta quarta-feira o jornal The Washington Post. Os analistas enviaram suas primeiras conclusões a Washington em 27 de maio de 2003. Dois dias depois, no entanto, o presidente afirmou: "Encontramos armas de destruição em massa". A mentira foi endossada pelos máximos responsáveis da CIA, que afirmaram publicamente, um dia após conhecerem o relatório, que os caminhões eram laboratórios utilizados para fabricar armas biológicas. Os autores do relatório preliminar e de outro mais completo, que foi elaborado três semanas depois, são dez analistas civis de inteligência - nove americanos e um britânico -, que foram enviados a Bagdá pela Agência de Informação de Defesa (DIA). Um porta-voz da DIA assegurou ao jornal que as conclusões da missão não foram ignoradas, mas incorporadas ao trabalho da equipe - que era encarregada, então, de buscar armas de destruição em massa. O Post também cita um dos analistas que inspecionou os veículos e afirma que "não havia conexão com nada biológico", porque, entre outras razões, os caminhões não contavam com o equipamento básico necessário para poder produzir armas com tais características.

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