Bush mostra otimismo em visita à região afetada pelo Katrina

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, divulgou nesta segunda-feira uma mensagem de otimismo em Biloxi (Mississippi), uma das cidades mais castigadas há um ano pelo furacão Katrina e, apesar do ceticismo do povo local, lembrou os esforços de seu governo para ajudar as vítimas."O otimismo é a única opção. É impossível dirigir pelas estradas do Mississippi sem ver sinais de recuperação", afirmou Bush em um dos locais afetados pelo fenômeno.Por conta do primeiro aniversário do Katrina, que será completado na terça-feira, Bush iniciou nesta segunda-feira uma visita relâmpago, a 13ª desde a passagem do furacão, que o levará às zonas mais devastadas, entre elas Gulfport e Biloxi, no Estado do Mississippi, e Nova Orleans, na Louisiana.Em seu discurso, Bush ressaltou a ajuda de US$ 110 bilhões aprovada pelo Congresso para que o Executivo auxilie na reconstrução dos Estados atingidos. Este discurso, no entanto, passou longe da autocrítica que Bush fez no domingo, quando reconheceu a deficiente preparação das autoridades dos EUA diante de uma catástrofe de tal dimensão.O Governo já concedeu US$ 77 bilhões desta quantia às autoridades estatais, embora quase a metade deste valor, US$ 33 bilhões, ainda não tenha sido gasto.Bush lembrou que os Estados Unidos se empenham no "maior esforço de reconstrução de sua história", após as conseqüências "inimagináveis" do Katrina, que deixou 1.833 mortos na região do litoral do Golfo do México em 29 de agosto do ano passado. "Entendemos que o povo esteja ansioso para recuperar seus lares, mas adotamos o compromisso de regular esta situação", acrescentou.Críticas a BushA lenta reação do governo após a passagem do Katrina foi uma das principais críticas que Bush teve de enfrentar no ano passado, e uma das causas da vertiginosa queda de sua popularidade. Por isso, um mar de rosas não é exatamente o que Bush espera em sua visita à Louisiana e ao Mississippi.Uma recente pesquisa do jornal USA Today e do Gallup revelou que apenas 37% dos cidadãos dos EUA aprovam a gestão de Bush após os danos produzidos pelo Katrina, contra 43% dos entrevistados que o apoiaram imediatamente após a passagem do furacão.O otimismo de hoje de Bush contrasta com os ânimos abatidos dos cidadãos dos Estados afetados, que não escondem sua impaciência pela lenta recuperação.Bush insistiu na necessidade de limpar os escombros em primeiro lugar, algo que, segundo ele, já foi feito em 89% da cidade de Biloxi.O presidente também destacou a vital importância das pequenas empresas e comércios da área para que o Mississippi volte a renascer "melhor e mais forte que nunca".No entanto, um relatório divulgado nesta segunda-feira pela ONG CorpWatch assegura que os contratos mais importantes de reconstrução caíram nas mãos de grandes corporações localizadas fora dos três Estados mais danificados pelo Katrina: Louisiana, Mississippi e Alabama."Os grandes beneficiados são as mesmas companhias encarregadas da reconstrução no Iraque e no Afeganistão, ou seja, as mais influentes nos círculos de poder", disse à Efe Pratap Chatterjee, diretor desta ONG.Segundo o estudo, embora empresas locais tenham assinado 60% dos contratos, estas representam apenas 13% do valor total do dinheiro investido.Depois da visita ao Mississippi, Bush viaja para a Louisiana, onde na noite desta segunda-feira deve jantar com autoridades de Nova Orleans e na terça-feira fará um discurso na praça Jackson desta cidade.

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