Bush oferece apoio a transição democrática em Cuba

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu que o povo cubano trabalhe por uma mudança democrática, e advertiu que o governo americano se lembrará dos membros do regime cubano que obstruírem os esforços para fazer da ilha uma democracia. O líder cubano, Fidel Castro, afastou-se temporariamente do governo, por questões de saúde."Apoiaremos vocês em seu esforço para construir um governo de transição em Cuba, comprometido com a democracia, e tomaremos nota daqueles, no regime cubano atual, que obstruírem o desejo de vocês por uma Cuba livre", disse o presidente, em nota emitida pela Casa Branca, horas depois de Bush partir para férias no Texas.A secretária de Estado, Condoleezza Rice, afirmou à TV CNN que uma transição, para o bem ou para o mal, "parece estar em andamento" em Cuba."Neste tempo de incerteza em Cuba, uma coisa é clara: os Estados Unidos estão totalmente comprometidos no apoio às aspirações do povo cubano por democracia e liberdade", disse Bush. "Digno herdeiro"Em Cuba, enquanto Raúl Castro se mantém nas sombras desde que assumiu o poder na segunda-feira, e sem nenhuma nova informação sobre o estado de saúde do líder cubano, Fidel Castro, coube ao jornal oficial Granma indicar os rumos da sucessão na ilha. O diário reproduziu trechos de um discurso pronunciado por Raúl em 14 de junho, no qual ele reitera que "o Partido Comunista, como instituição que agrupa a vanguarda revolucionária e garante a unidade dos cubanos em todos os tempos, pode ser o digno herdeiro da confiança depositada pelo povo em seu líder".Segundo analistas, as entrelinhas da mensagem visam a dispersar temores de desordem durante uma possível transição de governo. Por outro lado, de acordo com esses mesmos analistas, o discurso isenta Raúl da responsabilidade total pela condução do poder - que deve ser compartilhado com o partido. "É preciso que o partido se fortaleça como nunca, dado o decisivo papel que lhe corresponde nesta batalha", declarou Raúl no mesmo discurso. Fidel, que completa 80 anos no dia 13, se recupera de uma delicada cirurgia para deter uma hemorragia intestinal. A última informação oficial sobre seu estado de saúde foi divulgada na terça-feira à noite, por meio de um comunicado supostamente assinado pelo próprio Fidel - no qual ele dizia estar com "bom ânimo", mas ressaltava que os boletins sobre sua saúde seriam tratados como "segredo de Estado".A hemorragia - segundo a "Proclamação ao Povo Cubano", divulgada por Fidel na segunda-feira - teria sido causada pelo stress acarretado pelas viagens do líder a Córdoba, na Argentina, no dia 21, e ao interior de Cuba durante as celebrações da data nacional cubana, no dia 26. No mesmo documento, Fidel delegou suas atribuições de presidente, chefe do partido e comandante-chefe das Forças Armadas para Raúl. Foi a primeira vez, em 47 anos, que ele abandonou todas essas funções.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.