Bush oferece explicações a Putin sobre escudo antimíssil

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ofereceu à Rússia nesta quarta-feira, 28, uma explicação detalhada sobre seus planos de instalar um escudo antimíssil na Europa. As informações foram concedidas pelo KremlinA postura da administração americana é uma tentativa de aplacar a fúria russa sobre a questão. Bush e o presidente russo, Vladimir Putin, discutiram o escudo numa conversa por telefone, no mesmo dia em que o premier tcheco disse dar início a conversas com os EUA para abrigar parte do sistema. Os Estados Unidos querem construir uma estação de radar na República Tcheca e uma bateria de mísseis na Polônia para se defender de ataques com mísseis por parte dos "Estados rebeldes", como Irã e Coréia do Norte. A Rússia é contra o posicionamento do escudo antimíssil perto de suas fronteiras. Os russos afirmam que o plano ameaça sua segurança nacional e não acreditam nas garantias americanas. "Putin apresentou as razões para a preocupação russa com o plano dos EUA de criar bases antimíssil na Europa central", disse o Kremlin numa nota emitida depois do telefonema, que foi dado por Washington. "A manifestação de disposição do presidente americano para discussões detalhadas sobre esse assunto com o lado russo foi recebida com satisfação", disse o Kremlin. Em Washington, um porta-voz do Conselho de Segurança de Nacional da Casa Branca disse que Bush e Putin conversaram sobre a "cooperação da defesa contra mísseis", mas não entrou em detalhes. O chefe da Agência de Defesa contra Mísseis do Pentágono disse depois aos repórteres que os EUA estão "abertos" a colaborar com a Rússia para reforçar as defesas, incluindo uma possível transferência de tecnologia e de dados que poderia ajudar a proteger a Rússia. "Adoraríamos compartilhar esses dados", disse o tenente-geral da Força Aérea Henry Obering. A República Tcheca disse que seu governo vai entregar aos EUA uma nota estabelecendo as condições para o início das conversas sobre o projeto. Alguns países europeus fizeram objeções à abordagem americana para aplicar o plano, afirmando que teriam preferido um esquema de defesa mais multilateral, que envolvesse a Europa toda. EUA e Rússia já estavam em campos praticamente opostos nos impasses do Irã e do Oriente Médio, e os russos temem que os Estados Unidos estejam invadindo sua zona de influência.

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