Bush oficializa criação do Departamento da Defesa Interna

Nascido da necessidade de proteger os Estados Unidos contra novos atos terroristas, depois dos devastadores ataques de 11 de setembro de 2001, o novo Departamento da Defesa Interna foi oficialmente criado hoje. "Não podemos prever ou evitar cada ataque concebível, mas nosso governo tomará todas as medidas possíveis para savalguardar o país e nosso povo", disse o presidente George W. Bush, depois de sancionar a legislação que criou o décimo quinto departamento do governo federal americano, em cerimônia na Casa Branca.Bush confirmou que nomeará o diretor do escritório de Segurança Interna da Casa Branca, o ex-governador da Pensilvânia Tom Ridge, para dirigir o departamento. O atual secretário da Marinha, Gordon England, será o vice-secretário.Inicialmente proposto pela oposição democrata e recusado por Bush, o ministério será, com mais de 170 mil funcionários, a terceira maior burocracia da administração - depois dos departamentos da Defesa e de Assuntos dos Veteranos de Guerra. Mas levará meses para que se complete o trabalho de integração no novo departamento das 22 agências e repartições que ocomporão. Estas estão, atualmente, espalhadas por oito ministérios, e sua transferência para a nova estrututura será a maior reorganização administrativa do governo dos EUA em meio século. Bush reconheceu hoje a dificuldade dessa "imensa tarefa", dizendo que "ajustes terão que ser feitos ao longo do caminho" da montagem do novo ministério. Ridge tem sessenta dias para apresentar um plano de organização do novo departamento. A transferência das agências e repartiçõescomeçará não antes de noventa dias depois disso e poderá levar entre alguns meses e um par de anos.Entre outros, a nova agência absorverá o Serviço Secreto a Guarda Costeira, o Serviço de Alfândega e parte do Serviço de Imigração e Naturalização, bem como a recém-criada Agência de Segurança nos Transportes, uma nova polícia federal especializada na inspeção de passageiros e carga nos aeroportose que deverá aos poucos expandir suas responsabilidades para vigiar o tráfego das mais de 500 milhões de pessoas, 51 mil navios estrangeiros, 11,2 milhão de contêineres, 11 milhões de caminhões e 2,2 milhões vagões de trem que entram nos EUA a cada ano."O novo departamento combinará a melhor informação de inteligência sobre as nossas vulnerabilidades, de forma que possamos agir rapidamente e proteger a América contra os terroristas", afirmou Bush. Mas, ironicamente, as principais agências especializadas em inteligência nos EUA - a CIA, quecuida da espionagem no exterior, e o FBI, que responde pela contra-inteligência no território americano - continuarão a ter vida autônoma.Funcionários da Casa Branca indicaram que a administração está estudando maneiras de reforçar a segurança interna, mas descartaram versões sobre a criação de uma nova agência de inteligência voltada para investigar açõesterroristas dentro dos EUA. Isso não será necessário, no entanto diante da autoridade ampliada que o governo federal recebeu para realizar investigações sob a Lei Patriota, aprovada em outubro passado pelo Congresso em reação ao 11 de setembro.Para crescente alarme das organizações voltadas para a defesa das liberdades civis que estão na própria fundação dos EUA, algumas das consequências potenciais do reforço do poder do governo para travar a guerra contra o terrorismo já estão à vista. Na semana passada, um tribunal federal especial deapelação acabou com a separação que existia até agora entre as atividades da justiça criminal, conduzida pelos 93 promotores federais, e as de contra-espionagem levadas a cabo pelo FBI, para efeito de obtenção de autorizações judiciais para operações de escuta ou vigilância eletrônica de telefones, transações comerciais, e-mail e Internet.Paralelamente, o Pentágono trabalha no desenvolvimento de um sistema conhecido como Total Information Awareness (TIA), que permitirá fazer uma "mineração de informação" de praticamente todas as informações eletrônicas geradas por qualquer cidadão nos EUA - como uma compra via cartão de crédito - em busca de pistas de atividades suspeitas.

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