Bush omite a violência contra as tropas americanas no Iraque, diz Woodward

Bush omite a violência contra as tropas americanas no Iraque, diz Woodward"Está chegando ao ponto em que há 800, 900 ataques por semana. São quatro ataques por hora contra as nossas forças", afirma o jornalista do caso WatergateA administração Bush está omitindo o nível de violência contra as tropas americanas no Iraque, e a situação no país está piorando, apesar das alegações de progresso por parte da Casa Branca e do Pentágono. A informação está no novo livro do jornalista Bob Woodward, um dos responsáveis por desmascarar o ex-presidente Nixon no caso que ficou conhecido como "Watergate".Ataques de insurgentes contra as tropas lideradas pelos EUA ocorreram, em média, a cada 15 minutos, disse Woodward em entrevista ao programa 60 minutes, da rede CBS, a ser transmitida no domingo."Está chegando ao ponto em que há 800, 900 ataques por semana. Isso é mais do que 100 por dia. São quatro ataques por hora contra as nossas forças", disse Woodward em trechos da entrevista divulgados nesta quinta-feira pela Reuters. O jornalista está para lançar um livro sobre a administração Bush, chamado State of Denial (Estado de Negação, em tradução livre), ainda sem tradução para o português."A avaliação feita por experts da inteligência é de que no próximo ano, 2007, irá piorar e, em público, você tem o presidente e você tem o Pentágono (dizendo) ´oh, não, as coisas estão melhorando´" acrescentou Woodward.As revelações do jornalista vêm à tona no mesmo momento em que partes de um relatório sobre terrorismo foram divulgadas a pedido do presidente Bush. O documento mostra um crescimento da militância islâmica após o início da guerra do Iraque. Além disso, um relatório da ONU divulgado na quinta-feira afirma que a guerra do Iraque deu à Al-Qaeda um centro de treinamento e novos recrutas.Um importante membro da administração criticou as acusações de Woodward. Segundo ele, "Bob acredita ter muito para correr atrás após o establishment de Washington criticá-lo por ser muito pouco crítico em seus dois primeiros livros (sobre a administração Bush)."Já vimos esse filme antes, e não deveríamos ficar surpresos com outro livro crítico sobre a administração 40 dias antes da eleição", disse o membro.O partido de Bush, o republicano, encara um desafio dos democratas, que buscam obter o controle do Congresso nas eleições de 7 de novembro. A impopular guerra no Iraque é um dos principais assuntos na campanha.O membro do governo acrescentou não haver nada de revelador nos números de atques diários divulgado por Woodward. "Você os imprime o tempo todo".Woodward disse que Bush e seu vice, Dick Cheney, encontraram-se algumas vezes com Henry Kissinger, ex-assessor nacional em segurança do presidente Richard Nixon e secretário de Estado durante a guerra do Vietnã.A reportagem de Woodward e de seu colega do Washington Post, Carl Bernstein, teve um papel fundamental na exposição do escândalo Watergate, que forçou Nixon a renunciar em 1974.De acordo com Woodward, Bush estava absolutamente convencido de estar no caminho certo no Iraque. Segundo o escritor, o presidente teria dito também, durante um encontro com republicanos importantes para discutir o Iraque, que "não irei retirar (as tropas do Iraque) nem se Laura e Barney forem os únicos me apoiando". Laura e Barney são, respectivamente, a mulher e o cachorro do presidente.

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